<$BlogRSDURL$> O País Relativo
O País Relativo
«País engravatado todo o ano e a assoar-se na gravata por engano» - A. O'Neill
quarta-feira, abril 30
 
A propósito do TV Rural e do saudoso Eng. Sousa Veloso

Programação da RTP 1 para Domingo, 4 de Maio de 1983

9.00 TV Rural. “Despeço-me com amizade. Sonoplastia de...”
10.00 Desenhos Animados. Bell & Sebastião, O País dos Rodinhas, Marco e Calimero.
11.00 Eucaristia Dominical. Da Igreja de N. S. de Fátima à Av. de Berna.
12.00 Setenta vezes Sete. 490. Abençoada a altura em que passaram a dar o Verão Azul.
13.00 Jornal da Tarde. Dos estúdios do Monte da Virgem (atenção à piada fácil).
14.00 Sessão da Tarde. Filme: Se a Minha Cama Voasse ou Herbie
17.30 Notícias. Na RTP 2 estava a dar desde as três da tarde o Troféu com o Rui Tovar.
18.00 Top Disco, apresentação de Álvaro Costa. Gravei as primeiras cassetes com o gravador do ZX Spectrum encostado ao altifalante da Salora.
19.00 Galáctica. Starbuck, Apollo e Associados em grandes surfadas pelo espaço.
20.00 Telejornal. Isto é pouco dito, que se diga: a AD foi um péssimo governo.
21.30 Gente Fina é Outra Coisa. No intervalo: Quem quer Jogar no Totobola?
23.00 Domingo Desportivo. O Benfica ganhava e ia sempre em primeiro no futebol, hóquei, basket, andebol e, no geral, em todos os campeonatos que metessem bola.
00.30 Fecho da emissão. Hino nacional, com a praia da Adraga em fundo.

Que saudades.
RB
 
Esquerda convertida III: Para respeitar a santa trindade, só mais um comentário sobre a iniciativa da IU. Tirando a surpresa inicial que ela pode suscitar, não deixa de ser uma iniciativa brilhante e plena de um saboroso maquiavelismo. E isto porque a pergunta óbvia é a seguinte: e agora, D. Aznar? Vai recusar uma tão nobre condecoração ao Supremo Pontífice, tão adorado e venerado pela direita espanhola e, sobretudo, pelos milhares de membros do Opus albergados dentro do seu partido? Pergunte ao Dr. Portas a solução para sair desse imbróglio, um autêntico perito em justificar actos contraditórios ... próprios e alheios. PM
 
Esquerda convertida II: Há que referir que a proposta da IU vem no contexto da deslocação do Papa a Madrid por ocasião da canonização de cinco beatos espanhóis. Não percebo muito destes processos, mas penso que os pastorinhos de Fátima ainda não estão canonizados (apenas beatificados) - talvez os infames, certamente mais dados ao catolicismo e à política demo-sacristã a fazer fé na sua veneração pelo Dr. Portas, nos possam ajudar a dilucidar esta dúvida. Se assim for, Dr. Carvalhas, o que espera? Vá lá, não se acanhe, ainda ganha uns votos beatos. PM
 
Esquerda convertida: Chama-me a minha consorte espanhola atenção para uma curiosa notícia saída hoje no El Mundo. A fazer fé na dita (porque é mesmo de fé que se trata), a Izquierda Unida apresentou hoje uma proposta no Congresso dos Deputados requerendo que o Governo espanhol inicie o procedimento para a concessão "de la Gran Cruz de Isabel la Católica al Papa Juan Pablo II por su enérgica condena de la guerra de Irak". A IU justifica a sua iniciativa com base no comportamento exemplar demonstrado pelo Papa no conflito bélico, descrevendo a atitude papal da seguinte forma: "Su enérgica condena de la guerra contra Irak, sus deseos de paz, sus oraciones buscando una solución pacífica a los jefes de Gobierno de España, Reino Unido y Estados Unidos han representado un punto de referencia para los ciudadanos de distintos países de la Tierra". Depois desta iniciativa, proponho à IU que requeira desde já a abertura do processo de beatificação da Pasionaria PM
 
O Pedro Lomba, o Paulo Portas e o Guterres: Não compreendo porque é que a demagogia e a superficialidade são melhor aceites quando vindas da direita. Algum dia, alguém ainda me há-de explicar. Fomos criticados por não responder a três provocações do Pedro Lomba. Mais pelas críticas que pelas provocações, aqui vai:

A rapaziada do País da Rosa anda muito obcecada com o dr. Portas. Já esqueceram de quando precisaram dele para enterrar o dr. Cavaco (que boas eram as manchetes de 6ª feira).

Antes da Rosa que do Oásis. E por falar em manchetes de 6ª, estava eu a pensar o quão deve ser complicado dizer mal do “mestre” Portas. E mais complicado deverá ser não o fazer. É que deve mesmo apetecer, o Pedro L. não acha? Acho que tem é muita sorte em não trabalhar para O Independente. Já viu que cansaço viver este constante dilema. E por falar no dr. Portas, eu não quero, a todo o custo, a sua demissão. E não quero a sua demissão, simplesmente porque me é impossível acompanhar, de longe, o Caso Moderna. Agora, se estivesse no lugar dele (desculpe lá o pretenciosismo), querê-la-ía.

... um ministro habitualmente consumidor de prostitutas - este ministro deve demitir-se?

Um ministro gasta o seu ordenado como quiser, bebe o que quiser e tem as relações sexuais que o deixarem (os seus parceiros sexuais, claro). Agora, corrija-me se estiver enganada, o consumo (que lindo conceito!) de prostitutas ainda é crime em Portugal, ou não? Pois, neste caso, deveria não só demitir-se como ser processado.

E o que eu quero saber é como anda a defesa nas mãos dele.

Permita-me apenas uma pequena correcção: Nas mãos dele e nas de Nossa Senhora.

Há dias em que leio o País Relativo e não consigo acreditar que, quando os ventos sopravam para aquele lado, os rapazes defendiam os governos de um democrata-cristão chamado Guterres.

É sempre fácil criticar assim e difícil responder. Afinal, não se percebe exactamente do que é que o Pedro L. se queixa ou ao que se refere. Mas diga, Pedro L., o que é que o aflige? SS
 
Ainda o Telmo Correia: “não vejo melhor candidato a comissário europeu que Alberto João Jardim. É um político que diz o que pensa e que tem uma experiência acumulada de governação invulgar.” Se o que Telmo Correia diz ao DN é aquilo que pensa, então o caso é muito mais grave. PAS
 
A quem aproveita a não demissão de Portas?

Como num romance policial, devemos perguntar: a quem aproveitou a queda de Portas? Resposta: a Durão Barroso. Portas, não mais o líder forte do partido fraco que fazia sombra ao líder fraco do partido forte. Como um anjo caído, Portas, politicamente capado, passou a habitar o bolso de Durão Barroso. Ora, estava aqui, pela primeira vez desde que se formou, a chave para o sucesso a prazo da coligação que nos governa. Dois dos principais fantasmas haviam sido afastados: não mais uma liderança bicéfala do executivo, não mais a perspectiva letal do PP crescer eleitoralmente a partir do governo. Isto mesmo reconheceu Pacheco Pereira, com alegria e candura, no Flash-Back dedicado ao primeiro aniversário do governo.

Mas isto foi assim até um certo ponto. Que já foi por demais ultrapassado. A inconcebível e continuada escandaleira no processo Moderna está a roer por dentro o bolso de Durão Barroso. É já o próprio governo e a constelação de instituições em que se insere que estão a passar pelas cordas, e não apenas Portas. Se Portas já pediu por várias vezes a demissão e o primeiro-ministro é que não lha deu, como sibilinamente sugeriu Monteiro, não sabemos. O que sabemos é que Telmo Correia, na entrevista que hoje dá ao DN - “ O governo está muito ligado a Portas” - faz o favor de colocar mais cimento armado nos pés de um governo que esbraceja à tona da água. E a época balnear ainda não começou. Que para Durão Portas é cada vez mais dispensável, ajuda a prová-lo Telmo Correia. Que Telmo era totalmente dispensável, já sabíamos. RB

 
O regresso à escola e à blogosfera ou a superficialidade reinventada no feminino. As férias foram boas. O objectivo de fazer nada foi rigorosamente cumprido. Fiquei apenas com a leve sensação de estar a viver um jogo de “Civilization”, em que as opções de construção se limitavam a hóteis, os transportes a carrinhas de turismo, táxis e carros de aluguer e o comércio a lembranças, bronzeadores com cheiro a côco e bebidas alcoólicas (e que bem cotado que estava o nosso Lancers!). As opções de povoação também eram reduzidas: para além do povo nativo, limitavam-se a pouco mais que cabeleireiras e condutores de camiões de longo curso ingleses e alemães, cuja tonalidade evoluía do transparente ao rosa choque. As leis eram simples: pequeno almoço até às 10 e meia e jantar a partir das 6 e um quarto.
Cheguei à conclusão que Quarteira podia ser urbanisticamente pior, que a RTP internacional tem programas interessantes e presta um serviço importante, que há praias portuguesas, de facto, muito bonitas e que os Açores são das ilhas menos “estragadas” e mais românticas que conheço. Nada como sair de vez em quando da "terra" para lhe dar mais valor. SS
 
Deve evitar-se beijar as imagens:são estas as palavras feuerbachianas do secretário regional dos assuntos sociais dos Açores. Depois de, graças ao PL, ficarmos a saber que o Vitor Gamito é fixado no E. Burke (no fundo nunca gramei o gajo, sempre foi um reaccionário, que só se queria ver livre dos estrangeiros para não ter de ficar em 2º lugar na volta), eis que descobrimos em declarações ao Público um novo e renovado materialismo. Nós já sabíamos que as imagens, enquanto fenómeno autónomo separado da vida social, tenderiam a desaparecer numa sociedade sem classes. Agora, camarada, só falta o próximo passo, ‘Kill your idols’. E estamos no bom caminho... Segundo o Público, haveria um situacionista no poder nos Açores. E tudo graças à pneumonia atípica. PAS
terça-feira, abril 29
 
Quantos livros tens?: eu não sei quem é o Ricardo Araújo Pereira, mas ele, ainda que em gajo, é muito melhor do que a Clara Ferreira Alves. Tem é menos livros em casa. PAS
 
Flexibilidade e Polivalência: A TSF informa que Ex-ministro da informação iraquiano, AKA Comical Ali, pode ir trabalhar para uma TV do Dubai. A televisão anunciou que quer contratar Mohammed Said al-Sahaf para comentador e analista. O Dr. Bagão chamaria a isto flexibilidade, polivalência e mobilidade. PAS
 
Até amanhã, camaradas - Apesar de não ter passado por Bagdade, ando em mudanças e a mobilar a minha casa. Volto para a semana. FN
 
O orgulho de ser pop

Já tínhamos uma poetisa pop, a Adília. Já tínhamos uma escritora pop, a Margarida. Temos agora, já faltava, um blog pop. Este, o nosso. Estamos a ser sovados por superficialidade. Já dizia o Nietzsche sabiamente que não há camada mais profunda do que a superficial (a frase em alemão ainda soa melhor). Não é a nossa vocação preencher o vazio de profundidade que caracteriza o isolamento anómico do indivíduo nas sociedades contemporâneas, de que nos falam Durkheim, o Marco dos saudosos desenhos animados e a Vida de Brian. Às vezes em Abril, nós somos mais Verão Azul. Ou por outra, como dizia um amigo do Nélson Rodrigues a uma senhora que durante um jantar de grã-finos remoía interminavelmente sobre Sartre, o marxismo e méritos conexos: “seja burra, seja burra!”. Sejamos, pois, burros.

E deixo esta pérola dos paralamas, agora que Sol saiu aqui na Padânia:
Ficar só é a própria escravidão
Ver você é ver na escuridão
E quando o Sol sair
Pode te trazer p'ra mim
RB

 
Feios e Porcos: Já nos tinham chamado de blog canhoto, o que muito nos honra. É costume referirem-se a nós como o blog da rosa, país da rosa, o país socialista, e por aí fora, o que agrada a alguns de nós e chateia outros que não têm nada a ver com esse filme. Agora, esta dos tipos do Fumaças reservarem uma coluna especialmente para nós, apartando-nos inclusivamente dos nossos blogs amigos, a que dão o título de Feios, Porcos e Maus essa é que já nos lixa. Ó meus amigos, então não sabem que não há rapazes de esquerda maus? Esses são os da direita. MK
 
Negar a realidade: O governo habitou-se de tal modo a negar a realidade que até tentou negar que o PR tinha feito um discurso crítico do governo. Não valia a pena. Foram espantosas as palmas do líder Guilherme Silva e os assobios para o lado da Manuela F. Leite e de Durão. Mas, depois lá veio o Lopes dizer que aquilo tinha sido uma cacetada e que era além do mais injusta. Claro que a coisa foi toda devidamente combinada e articulada, reabilitando uma velha táctica dos tempos cavaquistas – uns desvalorizam as críticas, outras dão pancada no mensageiro. Mas o que resulta daqui é a pouca vontade de ouvir o que o PR disse, o que é particularmente preocupante porque ele disse o que os portugueses pensam. O governo ficou obcecado com o défice e esquece o resto da realidade. Claro que a culpa é dos socialistas etc. e tal. PAS
 
O Nuno Oliveira Garcia envia-nos mais um post que escreveu entre processos e afins:

O Miguel, o Paulo, a Manuela, o Pedro
Existem tantas coisas que me cativam no Miguel Sousa Tavares... não me levem a mal esta confidência, mas sempre gostei de tipos com boca ao lado, de orgulhosas camisas de marca e que mexem, "repetidamente é bom e em excesso é de perder a cabeça", no seu cabelo sempre que lhes é perguntado a sua opinião. São homens como o Miguel a quem apetece perguntar. Sempre. Alguma coisa.
No outro dia ouvi-o a dizer – gosto dele pronto! – que era necessário fazer prova que o Ministro Portas tivesse alguma vez praticado um crime para que fosse exigível a sua demissão. Comecei por discordar – essa é outra coisa que gosto no Miguel, é difícil concordar com ele à primeira – parecia-me que os políticos por serem isso mesmo tinham deveres para além do cumprimento do "non facere" do Código Penal. Lembrei-me mesmo que “deontologia política” podia ter alguma coisa que ver com assunto mas foi então que, lidos uns recortes do João Cesar das Neves e depois de dois gin fizzs, vi-me a concordar com o Miguel. Na verdade isto acontece-me sempre... acabo por dar razão aquele garotão de voz grossa e calça de ganga... seria capaz de apostar que ele já teve uma casa no Alentejo, tal o jeito dele para contar anedotas.
É evidente que culpa nenhuma tem o Ministro Portas em ser Ministro, em servir o país. Que culpa tem ele em, semana sim semana não, surgirem fortes indícios de cambalacho com facturas e arraiais com recibos. O Ministro Portas afinal não é mais do que os outros Ministros e não é mais do que outros portugueses. Exemplos como Giulio Andreotti só existem num país mediterrâneo como a Itália. E termino afirmando – o Pedro Lomba concordará comigo pois lembro-me dele em orais na F.D.L. e também gosto dele – que o sistema legal português é absolutamente garantístico na perpetuação da presunção de inocência e que a actividade política nacional só é incompatível se tivermos taxistas na família. É por causa disto tudo, e por causa do Miguel que faz um lindo par com a Manuela na T.V.I., que eu adoro Portugal.

 
This one goes out to - para fãs incondicionais dos REM um teste realmente útil. Which member of REM are you? O meu resultado não conta. Respondi tudo para dar Michael Stipe. MVS
 
Portas, o ministro e a responsabilidade dele – O Pedro Lomba dedica-nos três posts na coluna infame, dois dos quais sobre o ministro da defesa Paulo Portas. Diz-nos PL que “os ministros apenas são responsáveis por actos políticos defeituosos praticados no exercício das suas funções” e que “o que se passa com o dr. Portas: errou tremendamente ao associar-se à trupe da Moderna mas não fez mais do que isso.” Em primeiro lugar, é digno de registo o grau de conhecimento de PL sobre este processo. Garante-nos o Pedro, que Portas não fez mais que isso. Ao que parece não é bem isso que dizem os relatórios da PJ. Mas adiante. Há aqui três questões distintas: (1) Aparentemente, e para além da proximidade com a ‘trupe da moderna’, há alguns dados que indicam que as relações entre Portas, a Amostra e as Boas Festas (?!?!) e a dinensino constituiram-se como via de financiamento pouco transparente e certamente ilegal do CDS-PP. Se isto se verificar, mesmo tendo acontecido antes de inicar as suas funções de ministro da defesa, este caso é política e eticamente relevante; (2) Em segundo lugar, não sejamos ingénuos. Não foi certamente por acaso que convidaram Paulo Portas e não outra pessoa qualquer (que, eventualmente, pudesse até saber alguma coisa de sondagens) para gerir a Amostra. Nem foi por acaso de o puseram ao volante de um Jaguar. E a conversa dos cheques e da incapacidade para os passar também não convence nem o João Almeida. Finalmente, temos a ironia das ironias - como quer Portas que acreditemos que não tem que assumir as suas responsabilidades quando o próprio, noutros casos, sempre afirmou o contrário? Caro PL, concordo que por vezes se tem ultrapassado a fronteira entre a vida pessoal e a vida politica de alguns detentores de cargos políticos. E não quero mesmo saber quem gasta o seu ordenado em quê. Mas este caso não é pessoal. É público. E é político. MVS
 
GENIAL – O pequeno filme animado (suponho que dos autores de South Park) sobre a História dos EUA inserido no Bowling for Columbine. MVS
segunda-feira, abril 28
 
A vida para além da políticaAqui no País Relativo, por muito que custe às ortodoxias, não fazemos política de toda a nossa vida (pelo contrário), do mesmo modo que não fazemos toda a política na blogoesfera (pelo contrário). O 25 de Abril celebrá-mo-lo como deve ser feito, descendo a avenida e de forma festiva. E fizê-mo-lo como sempre, sem quaisquer reservas (não consigo perceber as reservas da direita com a democracia e a liberdade, weird?), de cravo, punho erguido e ao som da dupla Vasco/Kylie (convém repôr a verdade, o clash foi mesmo entre o Vasco e os Duran - não, não é esse que interrompeu os desenhos animados em 1975, mas o que canta e amancebou-se com a Jasmine - PM achas que ela vai o Super Elite?). Há política fora da blogoesfera e há vida para além da política na blogoesfera, não é assim? PAS
 
Super Elite:O PM diz que viu imagens minhas na manif e acrescenta que eu numa manif do 25 de Abril é como ele num desfile da Elite Model Look. Não consigo perceber a analogia e mais estranheza me causa dada a forma entremeada como vem o 'model' no desfile em causa. Pois que fique aqui claro que gosto de Manifs, frequento, e sempre que posso desço no 25 de Abril a Avenida (havia era felizmente, parafraseando, menos gente que desse por isso). Mas, verdade seja dita que fiquei com curiosidade sobre isso do Elite Look, PM levas-me lá? achas que me deixam entrar de punho erguido a cantar o povo unido jamais será vencido? é que há coisas das quais não abdico. PAS
 
O poder de comentar - A coluna infame dizia há dias que não tem nem teria comentários aos sus posts e que a razão para essa decisão eram os grunhos que comentavam os posts. Nós gostamos dos comentários. Mesmo quando são menos simpáticos. Gostamos de responder, gostamos de poder comentar os posts noutros blogs e gostamos de dar a todos o poder de comentar. E gostamos de ter comentadores residentes que acabam por ser bloggers em regime free-lancer que animam por aí os blogs em pt. Já agora um pedido – assinem os comentários porque torna mais simpático o debate. MVS
 
Entre o ser e o dizer - O Statler ainda não descobriu a diferença entre ser de esquerda e dizer-se que se é de esquerda. No seu post CUIDADO COM A MARIANA, BARRETO utiliza o artigo de Barreto para me mostrar como a esquerda também defende a diminuição da participação dos estudantes nos órgãos das universidades. Caro Statler, se o António Barreto for de esquerda ... então é porque eu não sou. MVS

 
Algumas notas sobre o fim-de-semana de Abril:
1. O Pedro Mexia pode ir de férias. Eu não.
2. O blog-de-esquerda pensa que se não escrevermos sobre o 25 de Abril é porque não pensamos nele.
3. Existe uma ‘maneira certa’ e uma ‘maneira errada’ de festejar o 25 de Abril. Estar com os amigos é a maneira errada.
4. Não conheço o PM mas se ele diz que o PAS numa manif é como ele num desfile de moda... então é bom que ele se apresse. Nos últimos meses o PAS já conta com duas descidas da Av da Liberdade.
5. Eu também cantei ‘o povo unido jamais será vencido’.
6. Desiludimos o JMS... Acham que no 1º de Maio ainda vamos a tempo?
7. Alguns descobriram que Jorge Sampaio é de esquerda. Nós já sabíamos.
8. O PAS não resistiu mais e falou de futebol. Houve quem não tivesse gostado e tivesse dito que ele devia ter dito qualquer coisa de esquerda. Pedro, para o ano já sabes...futebol só 364 dias por ano.
9. Sílvia, és tu a querida controleira??
MVS

domingo, abril 27
 
Abril Relativo I: Os infames têm destilado a sua habitual basófia reaccionária a desvalorizar o 25 de Abril. Parece que acham que a revolução dos cravos foi realizada em desvio de poder - o Lomba explica-vos - e que o motivo principalmente determinante da mesma - pôr fim a uma ditadura autoritária, a espaços fascista, frequentemente torcionária, e sempre limitadora dos direitos civis e políticos da democracia liberal - é um aspecto lateral. Os mesmos infames que quanto à guerra do Iraque punham a mão no peito e solenemente proclamavam a urgência civilizadora de democratizar o mundo.

O que foi mesmo importante, dizem os ufanos infames, na esteira dessa luminária da direita, que é o João Almeida do PP, foi o 25 de Novembro. Meus caros infames, Abril, o nosso, fez-se em Abril, em Novembro e em Março. Os da Esquerda Relativa, estavam lá em Abril, estavam lá em Novembro e estavam lá em Março. Onde é que estava a Direita, em Abril, em Novembro e em Março? Por isso é que o 25 de Abril é à esquerda. Porque se fosse pela Direita ou não tinha havido Abril, ou tinha havido Novembro, por omissão, e Março, por acção. MK
 
Comentário do José Mário Silva: DESILUSÃO. A blogosfera de direita mandou farpas ao 25 de Abril – já se esperava. A blogosfera de esquerda assinalou a data com cravos, cartoons, recordações nostálgicas ou textos políticos – foi coerente. Só a esquerda relativa ficou incompreensivelmente à margem. No dia da Liberdade colocaram apenas um post e ainda por cima sobre... futebol. Nem sequer, ó PAS, um comentário ao discurso do Sampaio? Não tiveram nada de esquerda a dizer neste dia? Estou decepcionado, meus amigos, estou bastante decepcionado.»

Querida controleira, movido pelo espírito de liberdade e desassombro que permanece como como o grande legado de Abril, permito-me dizer que o JMS tem razão. É certo que estivemos na Avenida e honrámos a data da forma mais simples e intensa: a conversar e a dançar, livres, felizes e contentes ao som do djaying revolucionário do nosso PAS, pela noite fora, sem que tivéssemos sido presos por delito de opinião, ou por participar em ajuntamento ilegal. Mas, com os diabos, algum "mãos à obra" não nos fazia mal nenhum. MK

 
Robby Baggio:Desde que me lembro de ver futebol que houve muitos jogadores entusiasmantes. Alguns apenas em jogadas fugazes, outros que perduram. Há, em todos os momentos, grandes, extraordinários jogadores. Mas, de todo o tempo que vi futebol há apenas dois jogadores absoluta e genialmente irrepetíveis. O primeiro chama-se Diego Armando Maradona, o ilusionista de Lanús. Sobre ele só se pode dizer que quem viu viu, quem não viu não volta a ver. Um génio absoluto, o melhor de todos, irrepetível, uma criança, todo pureza e alegria. Mas, há um segundo, chama-se Roberto Baggio, e digam o que disserem do seu temperamento, da inconstância, é ele que faz coisas que mais ninguém faz. Vem isto a propósito do Juve-Brescia de hoje, na Sport TV. Nada de especial no jogo, nada especial no jogo de Baggio, mas, cada vez que a bola passa por ele há algo de diferente. Aos trinta e muitos anos é como se de repente, por segundos, o futebol se transformasse numa coisa diferente. Robby pode ser hoje essencialmente uma memória do seu passado, mas vê-lo em campo é ainda a melhor das recordações. Com os génios não importam os golos, a carreira, as vitórias. Pelo contrário, a diferença fazem-na quando, apenas por terem a bola, fazem esquecer tudo o resto que faz parte do futebol. O jogo basta-se naqueles segundos. PAS
 
Sound byte da semana: O Paulo Portas, no caso Moderna, faz lembrar cada vez mais o célebre Iraqui Information Minister MK
sábado, abril 26
 
Madrugada em Abril - Os relativos acabaram o 25 de Abril ao som do DJ PASCP (PAS, na blogosfera). A Kylie dançou com o Vasco. E gostou. Perdeu quem faltou. O Pedro regressará em breve para mais deejaying. E nós daremos conta. MVS
sexta-feira, abril 25
 
Sósias de Saddam II: Há um sósia de Saddam a arbitrar o Sporting-Beira Mar. Se houver alguém dos marines atento é bom que façam qualquer coisa rapidamente, caso contrário o Sporting ainda consegue ganhar o jogo. PAS
quinta-feira, abril 24
 
Sósias de Saddam - Afinal o baralho de cartas com as caras dos principais dirigentes do Baas está a produzir efeitos perversos. Ainda hoje os marines prenderam por engano um senhor muito parecido com o Saddam. Se eu fosse Fernando Ruas, o presidente da Associação Nacional de Munícipios, punha-me a pau e deixava-me estar muito caladinho com a história das finanças autárquicas. Não tarda o senhor Primeiro Ministro telefona ao amigo americano a dizer que encontrou o Saddam em território português. FN
 
Suíça em Oeiras - Quem agora passa pela marginal arrisca-se a apanhar um valente susto. Depois do parque dos poetas, da fonte do Carrefour e de outras obras possidónias, a Câmara Municipal de Oeiras, esse exemplo de qualidade urbanística («enchem-se, mas fazem obra», dizem os que lá moram), lembrou-se de pôr um repuxo nas águas límpidas da praia de Paço de Arcos. MVS, quando por lá passou, pensou que se tratava de um furo nos canos de esgoto. Tenho outra leitura da coisa. Ou muito me engano ou aquilo foi o Isaltino que se inspirou no Lago de Geneve quando lá foi abrir a conta para o sobrinho. FN
 
Medalhas - Paulo Portas vai condecorar os militares que comentaram a guerra nas televisões! E o Nuno Rogeiro, senhores, quem condecora o Rogeiro?? MVS
 
Futebol, ou o milagre de 24 de Abril nos jornais desportivos - Eu tinha prometido a familiares e amigos que não voltaria a escrever sobre futebol enquanto os meus colegas bloggers não escrevessem (os benfiquistas andam mudos...). Mas vai mesmo ter que ser - é que há vários meses que o Benfica ocupava pelo menos 2/3 da primeira página de todos os jornais desportivos, todos os dias. Hoje só dá Porto e Boavista. Foi preciso uma hipótese de final portuguesa na Taça UEFA. Mas ao menos sabemos que é possível... MVS
 
Ainda sobre a Lei dos Partidos, e sobre as palavra do Mark e do Lomba, algumas considerações.
Lei para quê? Mudar alguma coisa para ficar tudo na mesma? Não me entendam mal mas fazer uma lei dos partidos é como programar um computador para jogar xadrez contra o Kasparov: tem de estar tudo antecipado. E isso demonstra-se quase sempre impossível...

A pergunta que faço não é provocação... bem... talvez seja. Mas é bem intencionada. É que uma Lei dos Partidos joga no terreno do formal, do normativo e um Partido joga na arena do informal, do telefonema do Rato ou da Lapa, lá para a distrital ou concelhia mais distante com alguém a gritar “tirem daí o Tino e o Maneco e ponham o Dr. Vaz Pintas e o Eng. Sousa Veloz” e coisas deste género, muito pouco à volta de estatutos e, sobretudo de Leis de Partidos.

Além disso, a Lei dos Partidos a ter uma utilidade deve ficar-se pela permeabilização dos princípios democráticos aos partidos, e, portanto, cuidar de matérias orgânicas e formais, digo, enquadrá-las, e não de matérias substanciais. Não é uma Lei de Partidos que vai, concerteza, alterar a dinâmica das Juventudes Partidárias ou impedir as elites de tomarem os partidos e os transformarem em carteis, como vem avisando, para o caso português, Peter Mair. Também não será uma Lei dos Partidos que convocará as massas anónimas para as fileiras da militância, muito menos com as elites carnívoras que temos...

Mas uma lei dos partidos pode regular procedimentos e dificultar a actuação de porteiros e controleiros por esses partidos fora. Pode uma Lei dos Partidos forçar alguma democratização, por exemplo, no processo de selecção de candidatos partidários a órgãos do poder autárquico. Para esta possibilidade, aliás, vem alertando o Dr. André Freire, nos seus sucessivos estudos. Mark e Pedro, é com pena que o digo (motivada pela boa e saudável inveja, entendam-se) mas nisto os nossos colegas de Sociologia já pensaram mais...No entanto, deveríamos ser nós os primeiros a perceber que virtudes podem as normas trazer aos Partidos. Infelizmente também somos nós os mais cínicos quanto a essa bondade. DF, perdão, DM.

quarta-feira, abril 23
 
Mijadela de cão: O post do JPC do dia 21 de Abril deixava-nos duas saídas: ou respondíamos com o mesmo nível com que ele escreveu ou simplesmente não respondíamos. Não respondemos. MVS
 
Pela extinção do Lynce - Não. Não se trata de defender a extinção do célebre lince da serra da malcata que desde pequena me atormenta. Trata-se, isso sim, de defender a extinção de um tal Pedro Lynce que, infelizmente para nós, acumula as pastas do ensino superior e da ciência. E, pasme-se, o Sr. Ministro tem conseguido fazer asneiras nas duas pastas. Por hoje, fiquemo-nos pelo ensino superior. Nem sem bem por onde começar... Antes de mais devo dizer que concordo com as propinas e também concordo com a existência de propinas diferenciadas - mas diferenciadas pelo rendimento do agregado familiar e não, como este sr. 'inventou', diferenciadas consoante a vontade de cada universidade. Caro Sr. Lynce, isto (ainda) é o ensino público e (ainda) existem decisões políticas - se não quer decidir demita-se, não passe as suas responsabilidades para as universidades. A partir de agora ser aluno de medicina pode vir a ser mais caro que ser aluno de arquitectura e as melhores universidades podem até ficar 'reservadas' para os mais ricos, bastando para isso decidir a sua propina pelo patamar mais elevado. Mas há mais, há muito mais. Segundo as propostas legislativas do Governo os órgãos das universidades deixam de estar em paridade, É que o Sr. Lynce descobriu uma coisa maravilhosa -para atacar o corporativismo nas universidades deve dar-se preponderância a esse grupo (nada corporativo) - os professores e retirar a paridade nas decisões de cada escola entre professores alunos e funcionários. Sendo estas apenas algumas das propostas, receio que o ministro Lynce me vai 'obrigar' a voltar a escrever sobre isto... MVS
 
Bloguistas de todo o país: Esta sexta-feira, para comemorar a liberdade, o relativo PAS fará uma sessão de deejaying, no Bar Madres de Goa, na Rua dos Industriais (à Dom Carlos I). Sintam-se convidados.
 
A estratégia do desespero: A dimensão das trapalhadas em que andou envolvido o dr. Portas é tal que os seus colegas de partido, na ausência de outras opções, optaram pela estratégia do desespero. O deputado Telmo Correia vem agora afirmar que as confusões modernaças resultam da voracidade da comunicação social e, não contente com tal justificação, avança para a insinuação. Serão os advogados de arguidos no processo que terão ligações partidárias e, como tal, presume-se, andam ao serviço de outros interesses que não os dos seus clientes. Espantoso e grave o nível a que já chegou a confusão. Melhor fora que se preocupassem com o facto de a resistência do Dr. Portas à evidente necessidade de se demitir estar a ter efeitos desastrosos, não apenas para a credibilidade do Governo, mas, essencialmente do Estado, do Estado democrático. Se a estratégia é mesmo a negação da realidade, mais valia então seguir a sugestão dada no contra-informação e escolher como porta-voz o “comical Ali”. PAS
 
Radar II: o Daniel Oliveira vê no projecto de revisão da lei dos partidos uma conspiração do "bloco central" para tramar o PCP e para impor um modelo único de partido. Isto num post - Partidos III - difícil de comentar, porque concordo com todos os considerandos e discordo em absoluto com o intróito e com a conclusão. Os partidos têm as suas regras internas que reflectem uma determinada mundividência. De acordo. É à volta dessa mundividência que se mobilizam os respectivos militantes. De acordo. As diferenças devem ser respeitadas. De acordo. Mas também é preciso perceber que os partidos não são associações recreativas, ou sociedades privadas. Os partidos são o esteio fundamental da democracia, tendo o monopólio da representação e participação político-institucional. Não faz por isso sentido dizer, quanto aos partidos, que quem não concorda com as regras de organização interna, sobretudo se forem pouco democráticas e se favorecerem a perpetuação no poder de uma casta dominante que se preserva, deve ir à sua vida. Um comunista deve poder militar no partido comunista e não deve ser obrigado a montar um partido paralelo se quiser ter a oportunidade de participar na política. Aliás, se todos os partidos adoptassem os esquemas de voto de braço no ar e de cooptação castal cedo ou tarde isto redundaria numa oligarquia. Os Partidos são pilares da democracia, e portanto têm que ser democráticos. A regra do voto secreto é uma regra de ouro, ou não fosse um chavão que aprendemos todos na escola primária. Também concordo que as inerências com direito a voto são pouco democráticas. E acho que a democracia ganha muito em afinar estes mecanismos que são dela própria e não dos partidos. Ganha em verdade, em transparência. Ganhamos partidos mais abertos a quem quer participar, que não excluam quem se identifica e se quer bater pelo seu ideário ainda que discorde de quem transitoriamente está na sua direcção. MK


 

Radar: era um dia que julgávamos não viver para assistir. Mas chegou. Talvez tenha a ver com a necessidade de recentrar a linha editorial da Coluna, depois da deriva contra os partidos e, portanto, contra a democracia, recentemente protagonizada por João Pereira Coutinho. Talvez seja o espírito de Abril a tocar nas almas conservadoras. A verdade é que o infame Pedro Lomba assina hoje um post sobre a reforma do sistema político com o qual, tirando um ou outro pormenor estético e acreditem ou não, concordamos. Concordamos com o infame Pedro Lomba. "Pretender, pois, que a maior ou menor aversão ao Estado de partidos vigente, exprime a atracção bem portuguesa pela União Nacional e pelo consensozinho, é ver apenas uma parte da realidade, não toda". Sim senhor. Não é toda a realidade. É só a sua parte mais preocupante. MK
 
O Nuno Oliveira Garcia enviou-nos este post que inaugura a poesia no País Relativo:

Portas com gripe

Pachos na testa,
Jaguar na mão,
uma botija,
chá de limão
Zaragatoas,
vinho com mel,
três aspirinas,
creme na pele.
Grito de medo,
chamo a mulher:
Ai Guedes, Guedes
que vou cair!
Mede-me a febre,
vê-me a goela,
cala a Oposição,
fecha a janela.
Já não quero helicópteros,
nem a armada,
Ai Guedes, Guedes,
não vales nada!
Se tu sonhasses
o meu nervo,
já vejo a morte
vou sair do Governo.
É a Moderna,
são chamas, diabos,
notícias estranhas,
cornos e rabos.
Compõe-me a colcha,
fala ao prior,
larga a Cardona
no cobertor.
Chama o Durão,
passa a chamada,
Ai Guedes, Guedes
nem dás por nada !
Vai às feiras
compra-me pão de ló,
não te levantes
que fico só
Aqui sozinho
a apodrecer,
Ai Guedes, Guedes
que vou morrer! NOG

 
Da Democracia no Iraque - Ao ver as imagens de milhões de xiitas a caminho de Kerbala (onde repousam os netos do Profeta) confesso que, qual Bonga, não consegui evitar uma lágrima ao canto do olho. Vieram-me à memória as imagens da Fonte Luminosa em 1975. Em Kerbala, sente-se a mesma devoção democrática. Os xiitas sabem muito bem o que querem. Não acreditam? Então leiam as palavras sábias deste taxista entrevistado pelo Público: «Queremos um Estado Islâmico.» E avisa: «os americanos, se sairem agora, saem como libertadores, se ficarem tornam-se invasores». No fundo, a ideia é «já fizeram o vosso trabalho, muito obrigado, isto agora é entre nós e os sunitas».
Para quê mais pressões diplomáticas e militares sobre Saddam, para quê intensificar as inspecções, para quê a negociação multilateral? Para os neoconservadores que aconselham Bush, os Zandingas de Washington, a questão nunca foi o arsenal bélico do tirano, mas o «efeito dominó» que, num belo dia, anteciparam numa bola de cristal. Como se vê, o dominó promete. FN
terça-feira, abril 22
 
Comissário Jardim: Numa leitura atrasada do Público de Domingo (sim, porque isto da Páscoa provoca sempre uns dias em atraso), leio com espanto que o dr. Jardim pondera seriamente uma mudança de ares, e que de tanto pensar (ou arejar) até admite aceitar o cargo de comissário europeu. Proponho ao Dr. Jardim que páre de pensar no seu futuro político extra-muros, de preferência já. Dr. Jardim, não se mace, deixe-se estar aí pelo Funchal, dê umas voltas pelo Porto Santo, continue a fazer os seus périplos populistas e demagógicos junto das comunidades emigrantes da Venezuela e da África do Sul, quando lhe apetecer fazer um pouco de turismo; isto da Europa é muito maçudo, há muitos comités, muitas abreviaturas, e até há um Parlamento eleito a quem os comissários europeus devem prestar contas. E, ainda por cima, a Comissão não legisla, só apresenta propostas e executa poderes delegados, coisa a que o dr. Jardim já não está certamente habituado (será que algumas vez o esteve?). Mas, sobretudo, isto da Europa é feito por pessoas que não compreenderão o seu refinadíssimo sentido de humor, que não perceberão as suas brilhantes e profundas análises geoestratégicas, sobretudo o seu avisado temor em relação aos "cubanos", e que nem decretam feriado no Carnaval. Por tudo isto, não pense mais em Bruxelas, a eurocracia não é para espíritos incontrolados como o seu. PM
 
Mais uma do nosso avençado Domingos Farinho, perdão, Domingos Miguel: "Eu se tivesse proclamado o fim da história tinha comprado uma casa em Lanzarote ou Madagáscar e nunca mais ninguém ouvia falar de mim. Mas o Fukuyama está cheio de ideias de como os Estados Unidos hão-de comportar-se quanto à Arábia Saudita e aos seus vizinhos. E explica e explica....mas a história não tinha acabado já? Com que raios está ele preocupado?..." DM
 

Uma base para mim, outra base para ti: Finalmente os Estados Unidos demonstram que a implantação da democracia no Iraque era a sua verdadeira motivação. Conforme nos avança hoje o Público, o Pentágono pretende manter quatro bases militares naquele país. Qualquer estudante de Sociologia ou Direito sabe que a Democracia não se perpetua sem o controlo da coercibilidade portanto a manutenção das quatro bases é auto-explicativa. Se a novíssima democracia (já basta de escrever em maiúsculas) iraquiana se portar mal os Estados Unidos lá estarão, via Lages, para pôr tudo nos eixos e manter vivo o Iraqui Dream. Peço desculpa por ter duvidado das boas intenções do Presidente Bush.
Afinal não era o petróleo que o movia... DM

segunda-feira, abril 21
 
Partido Único: Pergunto-me o que terá o mais encarniçado infame João Pereira Coutinho respondido no teste da moda à questão: "a one-party state is better because it avoids all the arguments that delay progress in a democratic political system." Strongly disagree? Disagree? Disagree ma non troppo? Agree um bocadinho? É que no âmbito dos serviços mínimos que assegurou para a Coluna no fim-de-semana pascal, ficámos a saber que JPC, apesar de não querer chocar os espíritos pueris - caro JPC, não há motivo para preocupação, daí já nada nos choca -, considera que todos os militantes de partidos políticos são débeis mentais e que os partidos - julgo que queria dizer, "a terem que existir" - devem sustentar-se exclusivamente com as contribuições dos próprios militantes, como que equiparando os partidos a associações recreativas constituídas com o fito exclusivo de organizar umas patuscadas excursionistas para os respectivos associados.

Ora, como isto seria manifestamente impossível, no quadro das responsabilidades que constitucionalmente são atribuídas aos partidos e que fazem deles os alicerces estruturais do sistema democrático, e como não ouvimos ainda falar de algo parecido com um movimento anarco-conservador, perguntamos Agree? Disagree? MK
 
E a Blaupunkt?

O arguto comentário do germânico Pedro Machado um destes dias sobre a Grundig deixou-me uma nostalgia. Ele refere, aliás pouco atinadamente, a existência de duas escolas televisivas, a da Grundig e a da Philips. Isso só se era na linha de Cascais porque na de Sintra era outra conversa. E a Blaupunkt? Bom...eu queria aqui relembrar uma marca por vezes esquecida, a da primeira televisão a cores lá de casa. Era uma bela Salora. A Salora era sueca e era boa em tudo. A tecnologia sueca, como Sá Carneiro deu a entender, pede meças a qualquer. Ela era bem constituída, tinha dois bons altifalantes, assim larga, com imensos botões para sintonizar. E depois, como Saab das tv’s que era, suportava tudo e era indestrutível. Quando o Veloso falhou o penalti viu-se para que servia um écran com vidros duplos e três centímetros de espessura. RB
 
i took the test and...esquerda libertária. E no meu caso muito Ken Livingstone, ao meio da esquerda (4.5), e na esquerda, a meio caminho entre a anarquia e o limite inferior do autoritarismo (6.10). Para relativo não está mau. Filipe, esta é a tua hora da verdade, a ver se não és despachado para a Coluna Infame. Acho, aliás, que devíamos todos organizar um jantar fundador da esquerda libertária bloguista para discutirmos a hipótese de nos constituirmos como nova formação política. Com o Mexia como grande timoneiro, a Rita Dias como presidente da Mesa da Assembleia Geral e o José Mário Silva como cabeça de lista ao Parlamento Europeu.MK
 
Sábado Aleluia - O Sporting ganhou. O Boloni pôs o Cesar Prates a jogar. O Beto voltou à defesa. O Tello... já ninguém se lembra. O JVP não foi o jogador mais pontuado pel' A Bola. O Jardel ficou em casa (ou noutro sítio qualquer). e, eu sei que já disse, o Sporting ganhou (0-3). MVS
 
AGORA A SÉRIO.... O Cavaco não vai ser candidato a Presidente da República, pois não? MVS
domingo, abril 20
 
Saraivadas - Para acabar em beleza os serviços máximos de páscoa, sigo os conselhos do Mark e leio o arquitecto Saraiva no Expresso. O artigo é ilustrado com três fotos: ao centro a do mítico Otelo Saraiva de Carvalho, à direita a de um ditador que iludiu alguns revolucionários (Fidel) e, sintomaticamente à esquerda, a de outro ditador que iludiu a CIA (ou parte dela): Saddam. Centremo-nos apenas no caso de Saddam para tentarmos perceber mais facilmente a lógica do raciocínio do arquitecto: «A história de Saddam também é conhecida (...) A essa história estão a ser diariamente acrescentados dados novos (...) como os quase mil carros (entre Ferraris, Lamborghinis e Porsches) que o filho tinha na garagem.» Perante isto, «como é possível continuar a dizer que Saddam é um homem de esquerda?», pergunta, e bem, José António Saraiva. «O facto, porém, é que é mesmo um político de esquerda. Porquê? Porque defende o princípio da igualdade». Não perceberam? Eu dou outro exemplo mais simples. O filho do senhor Agnelli tem uns Ferraris na garagem. Logo defende o princípio da igualdade, logo é de esquerda, logo é totalitário. Continuam sem perceber? FN
 
Marcelo esclarece, mas não tranquiliza - Acabo de assistir ao exame do professor Marcelo na TVI e devo dizer que, ao contrário do que nos prometia Gil Teixeira, não fiquei nada reconfortado ou tranquilo. A páginas tantas, o jornalista, daquela forma completamente espontânea, coloca-lhe a questão inevitável: professor, então é verdade que vai ser candidato às presidenciais? Se dúvidas houvesse, ficámos logo a perceber que o MARES e o Gil Teixeira não passavam de um novo facto político inventado pelo professor. O professor precisava de um pretexto para falar das presidenciais, ao contrário de Santana que, na RTP, o que precisa é de um pretexto para não falar das ditas. A resposta do professor tem uma parte boa e uma parte má. A parte boa é que não é candidato e que ficará como comentador das eleições presidenciais, temendo que «outros comentadores já não possam dizer o mesmo» (deve estar a pensar no Sócrates). A parte má é que o candidato do professor «chama-se Aníbal Cavaco Silva». Safa, safa!Portanto, relativos, bloguistas de esquerda, uni-vos! Na dúvida, toca a apoiar Marcelo a presidente, através de gil_teixeira@netcabo.pt. Ao ritmo que a coisa leva, não tarda o professor já tem as assinaturas suficientes. Acreditem que ele é «lélé da cuca» o suficiente para avançar.
Isto é a sério: podem confirmar em www.jornaldigital.com/noticias.php/8/49/0/11652/, que é onde está o magnífico manifesto do MARES. FN
 
Marcelo - Segundo o Independente, Marcelo Rebelo de Sousa já conta com o apoio do extinto PSN para uma eventual candidatura à Presidência da República. Extraordinário, a três anos de distância. Gil Teixeira, o pai da iniciativa, criou na Internet o MARES (Movimento de Apoio a Marcelo Presidente) e já conseguiu recolher 30 mails de apoio à candidatura. Diz mesmo que a recolha de mails tem seguido a um «elevado ritmo». Elevado ritmo? Isto é o que em política se chama uma vaga de fundo. Só comparável aos comments que o nosso MK provoca.

Para Gil Teixeira, o homem que simulava terramotos debaixo de cama da avó e acordava os pais do Eng. Guterres às 5 da manhã, tem «o perfil indicado». Porque Marcelo é uma espécie de «Zé Maria» e um bom «chefe de família» (?). Outra hipótese, caso o professor e o padre Melícias não dêem «a bênção» a esta ideia, será o apoio do extinto PSN ao Dr. Alberto João Jardim, «o Churchill português», de acordo com o mesmo Gil Teixeira. Logo Churchill, o herói da coluna infame. Que dizem desta comparação rapazes?

Mas o Marcelo é que era. Na TVI, «esclarece, conforta e tranquiliza o povo português», diz o nosso Gil Teixeira. Bem, vou mas é ver o professor. Depois disto preciso que ele me esclareça, reconforte e, especialmente, que me tranquilize. FN
 

Cidade de Deus: nem de propósito. Aproveitei a vigília para ir ver a Cidade de Deus, que é aquele filme brasileiro, sobre a favela com o mesmo nome, que ficou conhecido por não ter sido nomeado para os Óscars. O filme é tão excelente como perturbador, mas não é isso que importa agora. É só que, depois deste filme, aquela da "valorização das diferenças" deixa-me mesmo lixado.MK
 

Desculpa aí ó Filipe, depois de postar este post, que começei a escrever no sábado aleluia e acabei no domingo da ressurreição, é que me dei conta da tua intensa produtividade pascal. Deve haver mão da controleira MVS nisso. E repara que escolhemos ambos o mesmo título para o post. Não sei quem é que queremos enganar com a coisa dos "relativos". MK
 
Sábado aleluia: caro Filipe, não muito impressionado com a tua produtividade blogista, resolvi abandonar momentaneamente o meu jejum - aquela segunda pita shoarma depois do Lux caiu-me mal - e ir em teu socorro neste fim-de-semana em que apenas os blogs canhotos dão um ar da sua graça. E desta vez nem é preciso recorrer ao basismo do "O Independente" para arranjar matéria prima para um postezito pascal - ainda que sacrificando umas quantas gargalhadas infames-, basta abrir o "Expresso". José António Saraiva, com a densidade doutrinária a que habituou o país, explica-nos em tom pedagógico que estamos enganados ao sermos de esquerda. A tese deixa-nos prostrados pela clareza e simplicidade: os homens de esquerda - e JAS vai buscar figuras tão paradigmáticas como Sadam Hussein, Fidel Castro ou Kim Il Sung- insistem ingenuamente em defender o princípio da igualdade. E que a defesa do princípio da igualdade é o caminho mais curto para o totalitarismo, já que só é possível impor a igualdade pela força (o que à partida nem deveria chocar JAS, que recentemente se distingiu na apologia da democracia à bomba). A direita, pelo contrário, recusando a igualdade, realiza a liberdade a partir da valorização das diferenças. Podes, meu caro Filipe, achar o silogismo primário - Sadam e Kim Il Sung são de esquerda, os respectivos regimes eram totalitários, nós somos de esquerda, logo somos totalitários. Mas não ligues a essa parte - afinal, é páscoa - nem faças a injustiça aos nossos amigos de direita de os filiares na esteira política de Pinhochet, Salazar, ou Franco. Vale mais a pena tentar lembrar que as diferenças que são valorizadas por um Estado que, seguindo a recomendação de JAS, "abdique da ideia da igualdade", são diferenças que, atingindo os homens à nascença, e por isso injustas, impedem a sua própria aspiração à liberdade. E, sobretudo, que não há liberdade - nem segurança, para usar um conceito que seja susceptível de comover JAS - num contexto social de exclusão, marginalização e desigualdade. MK


 
RADAR - O Blogger Filipe Nunes dizia-me há dias a propósito da RADAR (97.8) que era uma espécie de Rádio Nostalgia da nossa geração (minha e do Filipe, que não é bem a mesma mas enfim...). Na altura pareceu-me um pouco exagerado. Mas a verdade é que ele tem razão. O que é verdadeiramente deprimente (mais que um fim-de-semana de Páscoa em Lisboa) é que as músicas do fim dos anos 80 e início dos anos 90 sejam nostalgia. Ontem quando acordei a RADAR passava House of Love. Quando os House of Love estiveram em lisboa, em 1989, eu tinha 11 anos. Nostalgia de lá não ter estado... MVS
 
Lista de vendas - Parece que o défice afinal já não é o que era e será o que nunca seria. Face a isto A Sra Ministra do Estado das Finanças e de-tudo-o-resto-porque-não-dá-dinheiro-a-ninguém resolveu fazer uma lista de vendas, umas maningâncias (expressão utilizada por César das Neves na única vez que concordei com ele). Nós não somos o Independente, nem fomos aos caixotes do Lixo da Sra Ministra, mas aqui estão aquelas que serão alegadamente (esta palavra é óptima para não nos poderem acusar de nada) as próximas vendas e devidas justificações da Sra. Ministra:
- O INE (porque detesto as contas deles)
- Todos os edíficios dos Ministérios, principalmente o da Cultura e o da Ciência (de qualquer maneira não servem para nada, e os ministros cabem todos naquelas arrecadações cá do Ministério das Finanças).
- Todas as universidades (eu bem me lembro do que eles me fizeram da outra vez, as coisas que me chamaram...).
- A CGD (íamos prometer na campanha e só não prometemos porque ninguém concordava).
- O Edificio da CML (compra-se um lá para Via Longa, que eu gosto pouco de ter o Santana por aqui tão perto).
MVS
sábado, abril 19
 
Caras Lindas II - Esta semana, a Caras vem com uma entrevista de fundo à Caras Lindas propriamente dita - a Cristina, lembram-se? Deitada no sofá, com as suas inconfundíveis sandálias de prata, Cristina fala-nos do seu próximo livro, da sua relação com «o Hélder» e do seu novo projecto televisivo. No fundo, partilha connosco uma visão do mundo muito lá de casa.

O Romance intitula-se "Mãe, Fala-me de Amor" (não sei se vem com o CD do Olavo Bilac). É sobre «uma mãe que aos 40 anos se apaixona da mesma maneira que a sua filha de 17 anos», diz a autora. Pareceu-me que a coisa é vagamente autobiográfica, pois logo a seguir Cristina fala-nos intensamente do seu amor «pelo Hélder» (um médico muito ocupado) e revela que, apesar dos seus 42 anos, os instintos maternais voltaram: «Mais um filho faz sempre sentido quando se vive um grande amor. E hoje há umas fraldas novas muito sofisticadas».

Mas a parte mais interessante da entrevista é aquela em que Cristina disserta sobre o Corpo e a Alma, fazendo muito bem a ponte para o seu próximo programa televisivo (que se chamará, precisamente, Corpo e Alma). Para Cristina, «A alma é a essência do ser humano. Quando a alma não está bem, nem a maquilhagem agarra. Queremos pintar-nos e o baton não fica nos lábios, o pó-de arroz não pega na pele. E não há medicamentos que curem isso».

Só mesmo o programa da Cristina é que pode curar este tipo de problemas que angustiam a mulher moderna. O Corpo e Alma passará na TVSaúde - e será codificado, dada a natureza delicada da coisa. Para o efeito, a Cristina contará com a ajuda de um especialista em saúde mental (já não era sem tempo) e de «um cozinheiro fantástico, o Fabrice, que vai dar umas receitas saudáveis mas saborosas». Apostamos que será o próximo Manuel Luís Goucha. Mas há mais: o programa também falará de outras terapias. «Falaremos de como em momentos menos bons nos pode fazer bem ouvir um CD, ler um livro, passear na praia». Portanto, já sabem: se estiverem sempre bem dispostos, não vale a pena ouvirem música, passearem na praia ou lerem um livro - mesmo que seja um livro da Cristina Caras Lindas.

Cristina, muito obrigado por seres como és.
FN
 
Caras Lindas - A revista Caras não pára de nos surpreender. Na semana passada, deu-nos a conhecer a história proibida de José Castelo Branco - sim, aquele personagem do SIC Hora Extra sobre VIPs, provavelmente o melhor programa de humor desde o Herman Enciclopédia. Aparentemente, há 20 anos o Castelo Branco chamava-se Tatiana Romanov. Tenho pena que a Caras não esteja online, porque a foto dele enquanto Tatiana merecia um link. 20 anos depois, diz que tudo não passou de «uma brincadeira de amigos», o que é provavelmente verdade. «Era a época do Boy George, do Pacha em Madrid, do disco em NY. Era a liberdade do 25 de Abril», diz ele. Como diria o Otelo, não foi para isto que fizemos o 25 de Abril. FN
 
Sábado Aleluia - Felizmente, já falta pouco para acabar esta depressão pascal. Marx morreu, Cristo ressuscitou e eu já não me sinto lá muito bem. Postar nestes dias é como atirar pérolas a porcos. "Comments" nem um. Lisboa está deserta de lisboetas. Só vejo espanhóis por todo o lado, ainda por cima revoltados com o simples facto de os museus estarem fechados. Querem museus? Vão mas é chatear para Bagdade, e deixem-nos gozar a ponte!
O que vai valendo é a nossa TVI. Depois do Natal dos Hospitais, os cristãos tiveram hoje direito à Páscoa dos Hospitais (a sério) com apresentação do inevitável Carlos Ribeiro. Esperemos que sexta feira a TVI não se esqueça de todos os progressistas, laicos e republicanos que se encontram internados nos estabelecimentos do SNS (da maneira que as coisas estão, devem ser cada vez mais). Sim, porque não um 25 de Abril dos Hospitais? Aviso já que, dos pimbas, só se aceita o Toy - aquele deputado municipal da CDU de Setúbal que canta o «Chama o António» e a «Mulher Sensual», autênticos hinos aos valores da camaradagem, da liberdade reprodutiva e da sexualidade emancipatória. FN
sexta-feira, abril 18
 
Sexta Feira Santa - Por decisão multilateral, com a aprovação do Conselho de Segurança do País Relativo, compete-me assegurar o nosso blog neste fim de semana santo. Uns foram fazer surf, outros passeiam-se por Florença, outros ainda estão em família a ver as Sandálias do Pescador e o Quo Vadis.
Falemos então das elites e dos partidos - esse tema que tanto tem animado a blogosfera nos últimos dias. De tudo aquilo que se escreveu, a ideia mais bizarra veio, como não podia deixar de ser, da coluna infame. O Pedro Lomba descobriu um divórcio entre os partidos e as elites, ou seja, uma coisa algo esquizofrénica. Salvo melhor opinião, o que todos os dados indicam é que a haver um divórcio será entre os partidos e os cidadãos - e se os partidos não mudarem, os cidadãos mudam o sistema partidário. A alternativa a isto não é ficar às espera das capacidades autoregeneradoras dos partidos (uma ilusão de Daniel Oliveira), mas a pressão externa por via legislativa.
Porque, como bem diz o Pedro Lomba, «o problema não é só o PCP». É pena é que estrague tudo a seguir com a conversa de que «os partidos não estão interessados em elites». Ou muito me engano ou isto vem daquela teoria reaccionária de Pacheco Pereira et al., do tipo: «já não há elites; Blair e Guterres são de plástico; é só marketing; no tempo do Soares, do Kohl e do Delors é que era bom.» Um discurso com muita aceitação, lançado pelos mesmos que agora elogiam o «estadista» Tony Blair. Ora, a verdade é que, no caso concreto português, com a consolidação da democracia e com as privatizações, as elites de ontem foram circulando para outras bandas, e deram lugar a gente normal escolhida por gente normal que, exercendo cargos políticos, é obviamente parte da elite. Caro PL, não será isto a democracia a funcionar? FN

quinta-feira, abril 17
 
Caro Pedro Mexia: Também fiz o questionário, o tal que por aí circula. Foi-me diagnosticado Esquerda Libertária . Se isto é o mesmo resultado que te deu a ti agora é que eu fico mesmo preocupada. Está descansado - é do questionário. Palavra de socióloga. "Fónix"! (expresão infame). MVS
quarta-feira, abril 16
 
Exportamos a Democracia em troca de ..... O Pedro Lomba escreveu um post chamado estranhezas. Prometeu e cumpriu. O seu post é mesmo estranho. Primeiro informa que não, que não estamos em guerra, o que estamos é "a discutir a democratização do Islão, a universalização dos valores liberais, a exportação da democracia”. Exportação da Democracia? E pagam-nos com o quê? E que tal está a balança comercial? Depois diz-nos que a esquerda foge à discussão e assobia para o lado e que, toldados por um americanismo primário não estamos a ver bem a realidade. Para a coluna só há dois caminhos possíveis: Ou se está com os americanos ou se é anti-americano. Caro PL, eu gosto muito dos EUA, indignei-me com o 11 de Setembro (aliás, acho que só acreditei bem quando vi NYC sem as torres). Apesar disso, não, não estou com os Estados Unidos (aliás, com o seu presidente) numa guerra que serve para exportar democracia. É caso para dizer que a coluna infame exporta a democracia e importa o fundamentalismo. MVS
 
Ai que bem escolhido: Portas promete regularizar as carreiras militares até ao dia 25 de Abril. Curiosa data. E já agora, para quando pretende regularizar ‘o resto’? MVS
 
Adesão: Não pode deixar de ser assinalada a assinatura, ocorrida hoje em Atenas, do Tratado de Adesão de dez novos Estados membros da União Europeia. É um momento marcante do processo de integração, que honra as responsabilidades da Europa para com estes dez Estados, mas também marca um enorme desafio em termos institucionais e políticos para a Europa. Vejamos se as novas ponderações e modalides de voto acordadas em Nice serão suficientes para permitir que as instituições europeias continuem a funcionar normal e decentemente, sem bloqueios concertados e/ou irrazoáveis. Por outro lado, o caso cipriota representa um enorme desafio à diplomacia europeia e, de igual modo, um caso extremamente delicado de aplicação parcial dos apoios comunitários e do Direito Europeu num mesmo território. A grande incógnita reside em saber como irá reagir a parte cipriota-turca da ilha. Não só mas também por isto, certamente, a Turquia não se fez representar pelo seu Ministro dos Negócios estrangeiros. Isto não augura nada de bom nem para a resolução do problema cipriota, nem para as relações UE-Turquia.PM
 

Lei dos Partidos - quem está fora não racha lenha: O Pedro Lomba abre uma nova frente de discussão blogista sobre a Lei dos Partidos e fornece-nos uma oportunidade soberana para assentarmos a nosso vício pelo dissenso em tema que não o da guerra. Obrigado Pedro, porque a verdade é que, por muito que vos preze - aos infames, entenda-se, e não ao Luís Delgado, Ribeiro Ferreira, Vasco Rato e quejandos, juntamente com quem assumiram as despesas da justificação política e intelectual desta guerra má - já não vos podia ouvir.

Quanto à Lei dos Partidos muito vamos ainda discutir, e tem mais graça porque, se bem percebo, a este propósito não há frentismos de esquerda, nem de direita, vai ser todos contra todos, uma verdadeira quezília global, multilateral e atomizada na blogosfera.

Para começar, há coisas que concordo com o Pedro, os partidos têm de mudar por dentro, as juventudes partidárias têm uma representação orgânica discutível, há um divórcio entre os partidos e as elites. Mas aqui a primeira questão controvertida. Quem é que tem a responsabilidade de algumas elites - porque a verdade é que algumas outras estão nos partidos - estarem à margem dos partidos? As elites, ou os partidos? Quando vemos os infames, na boa linha Vasco Pulido Valente (este que aguentou pouco mais de 15 dias no parlamento), a referirem-se ao pessoal como "os metecos", ou os "indígenas", o que dizer sobre a sua real mais valia em fazer de Portugal um país completamente civilizado (e há bolsas de terceiro mundismo que é urgente resolver)? Os partidos têm que encontrar formas de atrair as elites, de acordo, mas, convenhamos, as elites têm que ser menos sobranceiras e preguiçosas. Porque senão servem de pouco. MK



 
Mea culpa: não sei se é desculpável, mas, nos elogios aos Go-Betweens, esqueci-me que os New Order estão também no activo. Não vêm cá tocar, nem têm disco novo, mas têm, sim, um muitíssimo recomendável DVD. New Order 5 11, Live at Finsbury Park. Agora que já não há Joe Strummer, o concerto do último verão serve para provar, se tal fosse necessário, que ninguém concorre com o Peter Hook na forma de pegar na guitarra (no caso no baixo). E, se nada mais houvesse, quanto é que isso vale para a atitude de uma banda? Quantas bandas conseguiram reinventar-se a si mesmas depois da morte do líder? A resposta é apenas uma. Agora, com a segurança dos anos, até voltaram aos velhos/geniais temas dos Joy Division. Quantas canções foram feitas melhores que o Atmosphere e o Bizarre Love Triangle? As provas estão todas no DVD. PAS
 

Heróis: Apresenta-se como “o mais carismático dos ídolos dos nossos dias. Um poço sem fundo de beleza e virtudes”. Conforme reconhece sem falsas modéstias, é “adorado por toda a humanidade, sem distinção de raça, orientação política, credo, cruz... e é um enorme exemplo para a juventude”. De quem falo? Do Rodre, o mais desconcertante herói da actualidade. Os mais atentos terão conhecimento da sua participação em momentos cruciais da nossa História, como quando esteve no Largo do Carmo no 25 de Abril ou, ao lado de Bill Clinton, nos acordos de paz israelo-palestinianos, em Washington (1993). Prodígio da versatilidade, é campeão de patinagem artística (vencedor do troféu Lalique) e, no cinema, foi cabeça de cartaz em filmes como “Trainspotting” ou o mítico “A Laranja Mecânica”.
Na semana passada, seguiu a dica do Filipe Nunes e rumou a Bagdad à procura de umas bugigangas catitas para o seu luxuoso apartamento. Foi lá que se deixou fotografar pela última vez. Meet Rodre. TT


 
A SIC transmite - Benfiquistas deste mundo (e deste Blog) não desesperem. É certo que o Benfica não ganhou a tão conceituada Taça da Amizade contra o PSG. Mas deu na SIC. O FCP, que não tendo conseguido ir à Taça da Amizade se tem contentado com a meia-final (quase final) da taça UEFA não conseguiu, por exemplo, que o jogo fosse transmitido em qualquer televisão. Há uns anos um amigo meu disse-me que o Benfica devia transformar-se numa espécie de Globetrotters do futebol. Daria, pelo menos, para equilibrar as contas. Se optarem por essa via, não se preocupem – a SIC trasmite! MVS
terça-feira, abril 15
 

“The Most Dangerous President Ever”: É o título da edição de Maio (!) da revista norte-americana American Prospect. Adivinhem quem está na capa? TT


 
Humores Concordo com o Filipe: por estes dias, humor é coisa rara por aqueles lados, mas já os humores têm variado bastante. Escreveu o Pedro Mexia um destes dias na Coluna: "(...) ponto de ordem à mesa: a partir de agora falaremos de esquerda para designar toda a canhota e de esquerdistas para falarmos dos marxistas de vários coturnos; para os Relativos, por isso, propomos a designação... sociais-democratas. Parece-vos bem? PM"

Caros infames:

Depois de dizer que os relativos eram mais burgueses que os cronistas da coluna (afirmação só explicável por flagrante erro de amostra, e/ou de auto-avaliação), e de dizer que pelo menos um de nós podia ser militante das gerações populares, descobri uns dias depois que afinal parece que somos uns perigosos esquerdistas descabelados, por desconfiarmos vagamente das intenções dos Estados Unidos face ao Iraque. Pelo meio, somos ainda acusados (!) de ser sociais-democratas. Ena, isto é que é coerência! Alguém anda um bocado baralhado nesta história.
Quanto ao Iraque, não tenho muito mais a dizer. Já quanto à social-democracia, devo dizer que a designação não me choca nada; só não percebo o tom provocatório. Aliás, o post até é oportuno, porque chama a atenção para um sério problema identitário que a nossa direita tem. Por traumas que deviam ter sido superados há muitos anos (para aí desde o verão quente), os partidos da direita parlamentar continuam no armário. Temos um partido que foi buscar o pior da democracia cristã (a caridade hipócrita para os pobrezinhos e o cheiro bafiento a sacristia, mas só quando convém) e o mais básico dos populismos radicais e que se chama... Centro (!) Democrático e Social. E temos outro partido que é basicamente ultra-liberal em termos económicos e conservador nos costumes, enquanto mantém alegremente a designação de...Partido Social Democrata (!) que, por manifesto erro histórico, adoptou para substituir o velho PPD.
Convenhamos que há aqui alguma coisa que, claramente, não bate certo. Mas, no meio disto tudo, que culpa temos nós? MC
 
A TSF enlouqueceu de vez:Agora tem online o baralho de cartas dos iraquianos mais procurados pelos EUA. Vale a pena. E não é para rir. É mesmo para chorar. MVS
 
Assuntos pouco sérios: desculpem-me os que pensam que por estes dias só se pode falar de guerra e afins. Eu sou daqueles votos que vou em futebóis. Nós (no Sporting) já estamos habituados a épocas para esquecer (mais até do que a épocas para lembrar). E não, eu não fui uma dessas sportinguistas que apareceu debaixo do tapete nos últimos anos para festejar títulos. E não, não estou habituada a ganhar. Mas este ano foi demais. Perderam e jogaram pior que nos piores anos dos 80’s. E estou com medo da próxima época. Três pedidos apenas: rifem o jardel, não contratem o fernando santos e, por favor, chega de avançados na terceira idade. MVS
 
Post sério (porque até os infames já perderam o sentido de humor) - A América é poderosa, a Europa é fraca; a América é o sheriff, a Europa é o empregado do saloon; a América é hobbesiana, a Europa é kantiana; a América é de Marte, a Europa é de Vénus. É desta forma profunda que Robert Kagan descreve a actual ordem internacional, em "Power and Weakness", artigo publicado na Public Policy (boas leituras, não é PM?). (Ainda assim, é pena que Bush não siga as recomendações do seu ideólogo para o pós-guerra, traduzidas pelo jornal "Público" no último Sábado). Para Kagan, entre republicanos bushistas e democratas clintonianos, entre social-democratas e conservadores europeus, não há diferenças. Pedro Mexia, por outro lado (sublinhe-se, por outro lado), lamentava, há alguns dias, que, na questão iraquiana, o País Relativo não se tivesse demarcado das posições do blog de esquerda. PM punha mesmo em causa o nosso amor à democracia liberal.
Curiosamente, no último domingo, o mesmo "Público" falava em «divisões» no Partido Democrata americano. Todos os pré-candidatos democratas à Casa Branca revelavam reservas quanto à forma como a administração Bush tinha conduzido o processo. Uns eram « a favor, mas» , outros «contra, mas». O «mas» estava lá sempre. Ed Kilgore, do Democratic Leadership Council, dizia, na mesma notícia que, «se houvesse uma administração democrata teríamos conseguido obter um apoio multilateral à guerra e o país estava mais unido». Isto é claramente outra perspectiva das relações internacionais. Serão os democratas americanos antiliberais? Serão eles de Vénus, ou de outro planeta antiamericano? Penso que, tal como nós, continuam a acreditar que para um Estado de Direito Democrático os fins não justificam os meios.
John Kerry, democrata moderado e veterano do Vietname, numa gaffe pré-campanha, chegou mesmo ao ponto de dizer que «o que precisamos não é só de uma mudança de regime no Iraque, mas também na América». No País relativo, não iríamos tão longe: já ficávamos contentes com uma mudança eleitoral.
PS: Não percebo como é que se fazem os links para as páginas. Daí os bolds.
FN
 
GRUNDIG: Prossegue a derrocada da Deutschland AG. Só que no caso da abertura do processo de insolvência da Grundig, ontem anunciado, há qualquer coisa de sentimental, sobretudo para quem viu a televisão a preto e branco suceder à televisão a cores. Não posso de deixar associar tal evento à Grundig. Lembro-me que havia basicamente duas escolas, uma ligada à marca germância, outra à holandesa Philips. E, no entanto, havia um encanto especial com a primeira: os televisores, em geral, eram cor de madeira, o que ficava sempre bem com o mobiliário do início dos anos 80; ostentavam um orgulhoso e vistoso autocolante PAL (que, em geral, se destacava do ecrã para se colar imediatamente a seguir na janela do quarto, cuja luz solar não conseguia penetrar por entre tantos autocolantes obtidos nos stands da FIL); e, depois, havia toda aquela publicidade sobre as dimensões do ecrã (56 ou 67 cm), onde tamanho era sinónimo de qualidade. Finalmente, aí estavam a Animação 2 (ainda que sem perceber muito o conteúdo), o Domingo Desportivo, os telejornais, as séries da BBC, o Mundial de Espanha e o Naranjito, a Fórmula 1 precedida pelo TV Rural, tudo a cores. Depois da TIMEX com o seu mítico SPECTRUM, é a vez da GRUNDIG. As marcas da infância e adolescência começam a encolher! PM
 
É à Síria II: Não deixa de ser curioso como a Administração norte-americana, tão pragmática como pretende ser, insista em continuar a perpetuar o clima de tensão mundial. Agora que os fumos da guerra se parecem começar a dissipar, com condições para que os mercados e as economias possam recuperar a confiança entretanto perdida, eis que se aposta do lado americano em manter o clima de incerteza. Não serão os 400.000 empregos perdidos nos últimos dois meses nos EUA suficientes para motivar os dirigentes americanos a instilar um pouco de confiança nos agentes económicos? Ou tudo isto será uma tentativa de esconder os problemas económicos domésticos (sobretudo, os crescentes défices externo e orçamental)? PM
 
É à Síria?: Bom, estava-se mesmo à espera que o senhor Rumsfeld não ficasse satisfeito por ter conquistado Bagdad. Pelos vistos, também Damasco lhe aguça o apetite. Independentemente da discussão sobre a validade e utilidade da guerra contra o Iraque, o que agora parece estar a desenhar-se não deixa de suscitar as maiores perplexidades e receios. A crer no artigo de Gerard Baker, publicado no Financial Times de ontem, os EUA estão agora empenhados, depois de demonstrado o poderio militar, em aumentar a pressão sobre os Estados contíguos ao Iraque. A Síria parece ser o primeiro do cabaz. A pergunta, claro está, é óbvia: e se o exercício dessa pressão não resultar? Mais uma incursão militar na forja? Bom, se sempre for verdade que o senhor Cheney parece estar convencido da bondade dos argumentos desenvolvidos por, entre outros, Bernard Lewis, como no artigo referido se menciona, então temos o caldo entornado. Lewis é um reputado anti-árabe (primário), que fez da manipulação histórica do Médio Oriente uma forma de estar na vida académica. Como a visão dominante dos seus escritos se ampara numa visão simplista e retrógada do Médio Oriente, ainda visto como um conjunto de povos cuja violência primitiva e terrorista parece ser a única forma de estar na vida, já se pode antever como tudo isto pode acabar mal. PM
segunda-feira, abril 14
 
A melhor banda pop do mundo: Para aqueles que nos acusam de estarmos com uma deriva excessivamente política e porque o nosso compromisso é dar mesmo tudo o que os bloguistas merecem (já nos acusaram inclusivé de não priorizarmos o sexo), avisamos, desde já, que a melhor banda pop do mundo (é verdade, no activo) toca no dia 19 de Maio no Paradise Garage. Com mais de vinte anos a editar discos quase sempre com dois LLs no título, os The Go-Betweens editaram este ano um dos seus melhores albúns, recuperando até os dois bons velhos lls dos títulos. Parece fácil ser genuíno, simples, popular e sentimental ao mesmo tempo. Convém para isso ser genial e é isso mesmo que o Mclennan e o Forster são. Há poucos a fazer canções de 3 minutos assim. Para todos aqueles que gostam de "bachelor kisses" e que "used to get our kicks reading surfing magazines". PAS


 
Onde está o Saddam?: Ouvi há dias que era pouco provável que Saddam tivesse abandonado o país. Hoje as atenções voltam-se para a Síria, país acusado de haver recebido refugiados iraquianos. Estará entre eles o próprio Saddam? Ou terá Saddam regressado à sua cidade? Não, não estou a pensar em Bagdade. Estou a pensar em Detroit. Sim, essa mesmo, nos EUA. É que li há duas semanas, na revista que acompanha La Repubblica às sextas, que o Saddam é cidadão honorário de Detroit, desde 1980. Nessa altura, o “amigo” Saddam terá sido presenteado com as “chaves da cidade”, como forma de agradecimento pelo financiamento da construção da igreja caldeia da terra. E corre agora o boato que afinal, em Detroit, já haverá alguém com pior feitio que o Eminem... SS
 

A insustentável leveza do Dr. Portas: o Dr. Portas insiste em dizer que é apenas testemunha num processo e que por isso não se deveria demitir. Ao contrário do que sempre defendeu nas páginas assassinas do "seu" Independente, parece agora defender que a responsabilidade política está necessariamente associada à responsabilidade criminal. É penoso ver o Ministro de Estado na posição de ter que explicar porque é que não se demite quando por muito menos se teve que demitir o Ministro Isaltino Morais, que, ao que consta, também não é arguido, nem sequer testemunha, em nenhum processo. Porque convenhamos, a fragilização política do governo que o Mnistro Isaltino quis evitar com a sua demissão é algo que o Ministro Portas tem conseguido com esmero e distinção. O Ministro Portas tem a fé inabalável de que se assobiar para o lado tempo suficiente os portugueses se vão esquecer de que há um relatório da Polícia Judiciária que diz preto no branco que duas empresas geridas exclusivamente por si foram concebidas por um dos arguidos presos do caso Moderna, para dar origem a saídas de dinheiro da Universidade Moderna para os seus bolsos.

O problema de tudo isto, mais do que a fragilização de um governo que precisa pouco de ajuda nessa missão, é que esta postura inqualificável contribui ainda mais para que os portugueses confundam esta trapalhada em que o Ministro Portas se vai afundando a cada dia que passa, com as instituições democráticas em geral, criando o pano de fundo ideal para que germinem discursos infames de demagogia populista, feitos à medida, por exemplo, das necessidades de afirmação do ressabiado Dr. Monteiro. Isto a partir daqui é sempre a descer. MK
 
Calma aí com o revisionismo II: José Manuel Fernandes diz que, no dia em que Bagdad acolheu (espantosa subtileza esta) os soldados americanos, viu muita gente com cara de comunista no dia em que caiu o muro de Berlim. Pedro Mexia, longe do fair play que o costuma caracterizar, indigna-se com o facto de os relativos alinharem com a esquerda passadista na condenação à guerra, como que querendo dizer no apoio a Sadam. Há aqui um toque de maniqueísmo e de mistificação, que roçam o oportunismo e a desonestidade intelectual que me começam a irritar um bocadinho. Pondo isto de forma clara:
- nós somos democratas radicais, e portanto acreditamos na defesa dos mecanismos formais que garantem a democracia e o rule of law, seja em que circunstância for. Não invocamos essas regras quando nos convém, para depois as recusarmos na situação contrária.
- nós achamos que há guerras que se justificam. Em legítima defesa, em situações de urgência humanitária comprovada, em situações de ameaças à paz e à segurança internacionais. Por isso recusámos esta guerra. Porque deste ponto de vista é evidente que nenhum dos pressupostos se verificava. O desarmamento do Iraque podia ter sido conseguido sem ser por recurso à guerra, ou pelo menos o contrário não estava ainda provado, como incansavelmente Hans Blix tentou explicar aos americanos, para além de que, como ficou comprovado, o Iraque não tinha armas de destruição em massa que constituíssem um risco para a comunidade internacional. Se nem numa invasão essas armas são utilizadas, então como as considerar um perigo para a comunidade internacional?
- nós ficamos contentes com o fim do regime torcionário de Sadam. Não achamos bem que isso tivesse sido feito à custa da ordem jurídica internacional, da soberania iraquiana, da morte de milhares de civis iraquianos por uma potência estrangeira. E em claro desvio de poder. Porque o objectivo de democratizar o Iraque nunca foi o objectivo dos americanos, quando muito é a vantagem colateral de um processo que tinha, como ninguém pode negar, outros objectivos.
- nós não gostamos de viver num mundo – e achamos perigoso - em que há uma potência que se assume como gestor de negócios da comunidade internacional, que se arroga da competência para definir quais as ditaduras que são toleráveis e quais as que não são, e que se substitui, de acordo com as suas conveniências próprias, aos movimentos e às dinâmicas de libertação interna. A história está cheia de equívocos e injustiças criados à sombra desta ideia anti-democrática.
- nós achamos que há uma componente ideológica nesta guerra que encerra tudo quanto há de pior na direita radical conservadora: a vertente civilizadora, envangelista, racista e xenófoba. Ainda ontem ouvimos George Bush dizer que uma das grandes vantagens da grande nação que é os Estados-Unidos é que as pessoas rezam muito. Como que dizendo que Deus está do lado dos Americanos. Quando o mundo é dirigido por alguém que acha que está ao serviço de Deus devemos esperar o pior. MK
 

Prioridades conservadoras: o mau gosto continua a pontificar nos editoriais de guerra de José Manuel Fernandes. Já não é tanto pelo exercício de auto-alienação que o leva a querer ver na ocupação de Bagdad algo de semelhante ao 25 de Abril, ou à Queda do Muro. As mórbidas imagens do pilhanço colectivo por entre os corpos em decomposição que nos ficaram do fim de semana, diante da mais absoluta passividade dos soldados da coligação, demonstram o equívoco em que o director do "Público" insiste em laborar. Estas imagens não o perturbam excessivamente. Nem os milhares de mortos resultantes de uma guerra que se iniciou em nome de eliminação de armas de destruição em massa, que não foram encontradas, nem usadas, e que acabou em nome da libertação dos Iraquianos. Danos colaterais aceitáveis, pensará José Manuel Fernandes. Mas eis que há algo que provoca o maior sobressalto na sua consciência selectiva: "o saque ao Museu de Bagdad é gravíssimo (...) representa uma perda imensa para a humanidade. A recuperação do maior número possível de peças roubadas (...) são uma responsabilidade a assumir de imediato pelas forças aliadas, pelos emergentes líderes Iraquianos e pela UNESCO". Afinal, entre a esquerda e a direita, sempre foi tudo uma questão de prioridades. MK

 
Almas gémeas: Vai chegar o tempo (não sabemos é quando) em que os blogs de esquerda nos vão acusar de estar de acordo com os infames exactamente da mesma forma como os infames nos acusam de ‘trocar mimos’ com o Blog de esquerda. Já estamos habituados a ouvir da direita que não nos demarcamos do bloco, e da esquerda que somos iguazinhos ao PSD. Só podemos estar no bom caminho. MVS
domingo, abril 13
 
O Nuno Oliveira Garcia por entre processos e diários da república teve tempo de nos voltar a escrever... Cá vai. MVS

Chocapic, Valente e Isaltino:
"Existem poucas coisas para fazer de manhã que sabem melhor do que beber um
café duplo, olhar para o parque Eduardo VII e ler o Diário da República à
espera da exoneração do Paulo Portas. Acontece que esta manhã, apesar de
enublada, a minha essência começou a fazer sentido novamente enquanto que um
sopro de vida voltava lentamente ao meu corpo... vá lá basta ligar a
internet e irem ao site www.dr.incm.pt/dr para verem o Decreto do Presidente
da República n.º 23-A/2003. Sim, decreta a exoneração do Valente de Oliveira
e do Isaltino Morais; já agora, ao mesmo tempo, vejam o Decreto n.º
23-B/2003 que nomeia dois ilustres desconhecidos para as mesmas cadeiras. Na
falta de "chocopic", garanto-vos que a edição de hoje do Diário da República
é o melhor pela manhã."
NOG

sábado, abril 12
 
Anarchy, State and Utopia - É o título de um livro de Nozick que os neoconservadores americanos estão a levar demasiado à letra no Iraque. Aquilo já não é o Estado Mínimo, é o Estado Zero. Derrubam o regime ditatorial, desmantelam um aparelho de Estado repressor, e depois gritam ingenuamente: «Ó da guarda, que a gente não tem nada a ver com isto!». Meus amigos, a esta hora polícia já passou para o outro lado da barricada. Estão a ver para que é que serve a ONU?
Os neoconservadores, de hoje, que defenderam, no passado, a «revolução permanente», promovem agora a pilhagem generalizada. Pelas avenidas de Badade e Bassorá, passeiam-se electrodomésticos, camas, sofás, e até cavalos e restos das estátuas do Saddam - óptimos para bater com o chinelo. Por estes dias, o Iraque parece uma imensa Moviflor a céu aberto. Como nos explica Luís Delgado, esse conhecido colectivista, não há motivos de preocupação: é a «redistribuição da riqueza» a funcionar. FN
 
A desilusão de Pedro Mexia - O Pedro Mexia ficou muito indignado com a não demarcação dos relativos (somos nós) de um certo discurso sobre os americanos. Leio e releio o post do mark e aqueles que se lhe seguiram e chego sempre à mesma conclusão – o que o Mark disse e muitos subscreveram é que “Os Estados-Unidos nunca mexeram uma palha com o único propósito de libertar alguém.” (sublinho a palavra único) Ou seja, que da mesma maneira que não ‘compramos’ a tese de que todos os males do mundo vêm dos Estados Unidos, também não não aceitamos que nos tentem impôr a ideia dos Estados Unidos como salvadores do mundo. Desiludimos com isto o Pedro Mexia? Paciência. MVS
 
O Estado de Natureza: Em Portugal, que me lembre, a última vez que alguém tinha demonstrado incontida satisfação com populações em pilhagens e com cenários de desordem tinha sido uma coisa inominável chamada F.E.R. (a versão portuguesa duma das 3000 cisões do movimento trotskista internacional) que saudava, em cartazes por toda a Lx, a Albânia insurrecta. Para minha surpresa, hoje, numa atitude indigna, em Portugal há quem se mostre muito contente com o estado em que está o Iraque. Não deixa de ser surpreendente o fascínio da direita com o autêntico pré-leviatã que se vive em Bagdade. Primavera de Praga, 25 de Abril de 74? Tenham juízo e respeitinho pela história e, ainda mais importante, pelas populações que desgraçadamente vivem esta história. Tudo tem limites e a dignidade humana é mesmo o limite que não deve ser ultrapassado. PAS
sexta-feira, abril 11
 
O País Relativo: Este é o blog que oferece tudo aquilo a que o bloguista tem direito: futebol, política, bares, discotecas, Hollywood, surf e culinária. Assumidamente à esquerda do centro, moderno, aberto e sem pudores revisionistas, o País Relativo alimenta-se dos posts de Filipe Nunes FN, Mariana Vieira da Silva MVS, Mark Kirkby MK, Miguel Cabrita MC, Pedro Adão e Silva PAS, Pedro Machado PM, Rui Branco RB, Sílvia Sousa SS e Tiago Tibúrcio TT.
 
Carta Aberta ao Dr. Telmo Correia:
Exmo Senhor Deputado,
Foi com a minha alma em sangue que o ouvi ontem no plenário da A.R. Eu percebo que enfrente particulares dificuldades em consequência de ter um líder que ficou publicamente conhecido como sendo um "desorganizado", mas, as suas declarações de ontem deixam-me simultaneamente enjoado e perplexo. Aliás, julgo que são apenas atribuíveis à “desorganização” que deve, por estas horas, grassar no seu partido. Belos os tempos da manifestação do Largo do Caldas, muito antes do Dr. Nobre Guedes, eleito com assinalável participação para a Concelhia de Lx, vir alertar o país para o possível "golpe palaciano e salazarengo" em curso nesse grande partido popularista. O Prof. Freitas, aliás, já tinha aludido à natureza salazarista da direita portuguesa. Mas isso é problema vosso. O mesmo já não poderá ser dito das suas doutas declarações. Comparar a chegada a Bagdade dos militares norte-americanos ao 25 de Abril de 1974 é, no mínimo, insultuoso e calunioso. Para o que foi a democratização em Portugal, para os militares PORTUGUESES que a fizeram, para os CIDADÃOS de Lisboa e de todo o país que saíram à rua. Contudo, fico pelo menos contente ao saber que, daqui para a frente, poderei contar com a sua participação, sem reservas, nas celebrações do dia 25 de Abril. Claro que fica a pergunta, “onde é que o senhor estava no dia 25 de Abril?” Esperemos que não em actos de “pilhagem”.... PAS

 
Sporting: Fernando Santos, referindo-se à possibilidade de vir a ser treinador do Sporting, espera que à terceira seja de vez. Eu espero que não haja duas sem três. MVS
quinta-feira, abril 10
 
Carta Aberta ao Dr. Paulo Portas II
Exmo Senhor Ministro de Estado,
Sinceramente, é também com a alma em sangue e na mais completa solidão que lhe escrevo. De certa maneira, estou solidário consigo. Também eu tenho dificuldades em passar cheques (especialmente com cobertura). Também eu tenho uma mãe que me compra o leite. Multibancos e hipermercados nem vê-los: engolem os cartões, têm gente a mais. Tal como VExa, prefiro o dinheiro vivo, «entregue em mão». Pelo sim pelo não, ainda guardo o dinheiro morto: sim, o velho escudo que o Senhor dantes defendia. O que eu nunca percebi nesta sua história Moderna é como é que uma pessoa assim vai parar ao admirável mundo da gestão de empresas. E, principalmente, não percebia o que é o recomendava para o não menos complexo mundo das sondagens. Com o depoimento do seu amigo JBG, ficámos esclarecidos: «Eu (JBG) não percebia nada de sondagens».
E agora? Demite-se? O Dr. Nobre Guedes diz que «a haver alguma coisa seria um golpe palaciano e salazarengo» - o que, tendo em conta o historial da nossa direita, faz temer o pior. Uma coisa é já certa: como diz o Senhor Primeiro Ministro, «Há sinais claros de que o segundo ano do Governo será mais difícil». FN

 
Saudades de Kissinger - MC não é rapper, mas tem razão. À partida, não se perecebe porque é que o texto do MK provocou ondas de choque e pavor na direita. É evidente que os EUA nunca mexeram uma palha com o simples propósito de libertar alguém. Nem os EUA, nem infelizmente nenhuma potência. Agora, como no passado, limitam-se a seguir o chamado «interesse nacional». Claro que o grande questão para o centro-esquerda na Europa e nos EUA só pode ser: como sair disto? Como consolidar o multilateralismo? O que é estranho (à lógica tradicional da direita), como sublinha MC, é a posição dos neoconservadores. Olham para as relações internacionais como uma luta entre «os bons» e «os maus». Penso que o segredo deste mistério está no passado extremista dos fundadores desta seita. Seguem hoje Bush com o mesmo fanatismo com que seguiam Trotsky e Mao. «Com uma lágrima ao canto do olho». Patético.
FN
 
Actos desinteressados Regressado por um momento à blogosfera, deparo-me com um estranho debate sobre o papel histórico dos estados unidos, que aliás reproduz um pouco o nível do debate que temos tido em Portugal sobre o Iraque.
Este debate é ainda mais estranho porque, se nem sempre é fácil apontar pontos positivos à direita, há uma vantagem comparativa de que não costuma abdicar: o pragmatismo da real politik, na onda do "as coisas são como são e é uma perda de tempo andar a inventar". Isto, para a esquerda, significa normalmente pôr de lado as preocupações que estão na base de boa parte do seu ideário e engolir sapos do tamanho do mundo. Já os conservadores e boa parte dos liberais, para sua sorte, nasceram a acreditar a justiça está do lado dos vencedores da história.
Mas isto é uma coisa, perfeitamente legítima, e outra completamente diferente é, na ânsia de justificar a justiça dos vencedores (que aliás nem precisa de advogados, porque se justifica a si própria pelos factos consumados), transformar a(s) super-potência(s) em super-herói(s) e fazer dos Estados Unidos beneméritos salvadores da liberdade, do mundo e das pátrias oprimidas. Ainda por cima quando, se há questão em que o pragmatismo dos interesses se tende a sobrepôr a outro tipo de imperativos ideológicos e éticos, é exactamente nas relações internacionais. O que, aliás, nada tem que ver com o caso concreto do Iraque, é uma máxima bem conhecida.
É por isso mesmo que é nestas ocasiões que apetece perguntar aos nossos amigos de direita de onde lhes vem, subitamente, tamanha ingenuidade para acreditar nas histórias da carochinha que alguns americanos gostam de contar sobre si próprios e que outros (re)contam sobre eles. Meus caros: deixem lá os amanhãs que cantam. Quem quiser acreditar nos actos desinteressados e no carácter "especial" desse grande povo americano e no seu altruísmo histórico na busca incansável da democracia, tem toda a liberdade para o fazer, independentemente do evidente revisionismo que está em causa. Mas talvez não seja má ideia perceber que tapar o sol com uma peneira é um daqueles exercícios que sabemos à partida que não vai resultar.
MC
 
Caro José Mário: ainda esmagado do enxerto de pancada que estava a levar da direita emocionada - a lágrima no canto do olho de José Manuel Fernandes não nos pode deixar indiferentes- eis que vêm em meu auxílio - libertador? - as tuas teclas redentoras e solidárias: um dos problemas da direita é que dispara as suas críticas antes mesmo de tentar compreender o que lê. Na frase tão massacrada - «Os Estados Unidos nunca mexeram uma palha com o único propósito de libertar alguém» - esqueceram-se todos da palavra fundamental. «único». Ninguém nega que os EUA tiveram um papel fundamental na II Guerra Mundial, mas a libertação dos franceses não era certamente o seu «único» propósito. Se fosse, bem que poderiam ter entrado na guerra antes de Pearl Harbour... Um abraço, JMS É isso mesmo, José Mário. Já Mega Ferreira em artigo recente na Visão lembrava os esforços inglórios a que Churchill se prestou na tentativa de convencer os americanos a entrarem na guerra e de como estes se preparavam para deixar a Europa à sua sorte até Pearl Harbour. Óh José Mário, e o tom indignado com que os nossos amigos bloggers de direita reagem quando nos atrevemos a dizer que os Estados-Unidos não são uma virgem pura? E ainda dizem que a esquerda é que tem a mania do politicamente correcto. Esta de comparar a emoção de ver a estátua do Sadam com uma bandeira americana na fronha, à emoção sentida no 25 de Abril, ou com a Queda do Muro de Berlim, não lembra ao diabo. Um abraço José Mário. MK

 
O Domingos Farinho - assina Domingos Miguel-, que é meu colega na Faculdade de Direito de Lisboa e amigo de mais alguns relativos e de pelo menos um infame, vai ser uma espécie de consultor externo, a falsos recibos verdes, aqui do O País Relativo. Começa bem, a explicar-me como dormiria melhor à noite se fosse de Direita e de como, apesar de tudo, não conseguiu. À blogosfera, o trepidante DOOOOMINGOS! MK

Como sempre quis ser de Direita e não consegui.

Desde que me lembro que quero ser de Direita. Aos nove anos fascinavam-me as histórias do meu avô sobre a mocidade portuguesa, aos dezasseis a pujança do Professor Cavaco Silva atraía-me e agora, dez anos volvidos, leio a Coluna Infame. E interrogo-me como ainda não me consegui tornar de Direita. Para mais, tendo já conseguido convencer tanta gente dessa minha desejada qualidade. A minha ex-namorada, por exemplo. E mesmo o próprio Tiago Tibúrcio, companheiro de tantas batalhas.
A Direita é intelectualmente inatacável. Bem sei que não o é mas agrada-me dizê-lo. Cada vez que leio uma obra da boa Direita fico com a terrível sensação de que nada posso fazer, nem ninguém, para criticar ou demolir tal fatais e evidentes pensamentos. Leio Schmidt, tumba! Leio o Nozick, pimba! Leio o Pedro Lomba, zás! A mesma terrível impotência perante o génio do pensamento. A Direita, esquecido o socialismo científico, ou lá o que é, é um monumento de racionalidade e compostura, de clareza e tradição. E daí a minha dificuldade em deixar a Direita. Esta atracção que a Razão exerce sobre mim, ou o que resta de mim.
Mas, verdadeiramente, não são as obras que me convencem mas as ideias. E por isso leio avidamente PL, JPC, PM e o mais que vem, com quem tenho aprendido muito. E cada vez mais me pergunto, como querendo tanto ser de Direita, falho rotundamente.
A resposta é evidente: recalco as minhas emoções. Como todos sabemos alguém que se quer de Esquerda é emocional e o pensamento de Direita nasce sobretudo nos corpos mais cerebrais, mesmo ficcionando sentimentos. Não sei se será isto, mas deve ser, o que justifica as posições várias da novíssima direita portuguesa, vulgo, a Direita Infame, sobre a Guerra (não confundir, penso, com a nova Direita alemã, de Ernst Nolte). Mas hei-de mostrá-lo noutros temas. Só mesmo uma inteligência superior conseguiria justificar o injustificável. Ou melhor dizendo, justificar o condenável. E nem se trata de uma condenação moral mas de uma condenação política. Amanhã é que vai ser bom quando a China invadir a Formosa sem pedir licença ao Conselho de Segurança ou quando a Festa do Paralelo 38 se tornar na Rave 34, por dá cá aquela pastilha. E porque não implantar a democracia parlamentar nos Estados Unidos? Só para ver se resulta... Sugiro enviar uma força de coligação franco-germânica (para também podermos dizer “the coalition forces”) supervisionar a transição do sistema político. Se corresse bem já podíamos aceitar a Rússia na NATO. E até os podíamos deixar livres no uso da força, se necessário, caso os nossos amigos americanos se saíssem com alguma arma de destruição maciça. Nessa altura só mesmo o bom pensamento conservador para determinar calma nos ânimos e luta com galhardia.
Enfim, tenho lido com atenção e ânimo a Direita e tenho tentado, Deus sabe, ser um bom conservador, homem de Direita, mas raios partam esta chatice dos valores e dos princípios da igualdade e da fraternidade e a redistribuição de riqueza e a liberdade avante a ordem, Hobbes que me perdoe. Está-me no sangue. Não acho que vá lá com leituras. Aliás, deslumbrado que estava, quando acabei de ler a Constitution of Liberty, só conseguia pensar: “E as crianças, Senhor, e as crianças”. E nem sou católico...DM

 
Taça dos Libertadores da Europa (com a licença da UEFA)

Resultado ao intervalo: MK Lisboa FC, 2 X Statler-upon-Lomba Clube Recreativo, 1. Golos: FN marca para o MK Lisboa, à passagem da meia-hora, isolado na meia esquerda mas infelizmente com a mão; auto-golo do guarda-redes Lomba, bola entra suavemente pela direita baixa (o Lomba é um frangueiro). O Statler-Lomba marcou antes do intervalo por Nuno Mota Pinto, entretanto entrado a substituir um jogador exausto, embora em claro em fora-de-jogo de posição com interferência na jogada, não assinalado pelo árbitro. RB

 
Imprudências Históricas: Não vou cometer a imprudência histórica de comparar a entrada das tropas aliadas em Bagdad com a recepção que Hitler teve em Viena ou em Praga. Mas, por favor, não cometam também a imprudência histórica de comparar a recepção dos iraquianos (justamente felizes por se libertarem de Saddam) aos militares americanos com o 25 de Abril. MVS


Powered by Blogger Weblog Commenting by HaloScan.com Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons License. Weblog 2004 O País Relativo