<$BlogRSDURL$> O País Relativo
O País Relativo
«País engravatado todo o ano e a assoar-se na gravata por engano» - A. O'Neill
sábado, maio 31
 
Comentaristas residentes: eu estava absolutamente convencido que só havia um socialista mais alto do que o MK, o Nuno Cardoso, mas por estes dias conheci o comentarista e leitor atento do PR, “Real”. Isto da blogesfera tem destas coisas, já nos conhecemos antes de nos conhecermos, o que ajuda ao conhecimento real. Ainda que me tenha presenteado insultuosa e indecentemente com um objecto de indecorosas tendências sportinguistas, conhecer o “Real” foi mais um sinal para confirmar aquilo que eu já sabia, mas de que muita gente por preconceito duvida, que há excelentes autarcas por todo o país, com vontade e que olham para o futuro com ideias e discursos arejados. É o género de coisas que só pode deixar os optimistas mais confortados – e os tempos que vivemos andam bem difíceis para os militantes desta causa. Claro que nada disto tem a ver com o facto do “Real” ser do ISCTE e benfiquista convicto.PAS
sexta-feira, maio 30
 
Há uns tempos os americanos deram-me a hipótese de escrever um post a zurzir na sua ilimitada capacidade de mentirem ao mundo. Agora permitem-me a sequela. Desde já um duplo muito obrigado.

Refere hoje o Público Online:

"O secretário-adjunto da Defesa dos EUA, Paul Wolfowitz, admitiu, em entrevista à revista americana "Vanity Fair", que as armas de destruição em massa foram apenas um pretexto para atacar o Iraque, para que houvesse acordo"

Esta é uma pérola. Sobretudo porque, como se viu, os EUA conseguiram um histórico acordo, congregando muitos e variados países - a famosa cohalition - de que é exemplo o Reino Unido....Errr.... único exemplo, acrescente-se... a não ser que contemos com as dezenas de países que se colocaram passivamente do lado dos Estados Unidos, com recurso ao famoso "nim", mais por medo de represálias político-económicas do que por persuasão da ameça das armas de destruição massiva

Mas...

"disse mais: a verdadeira razão para um conflito militar foi a necessidade de os EUA retirarem as suas tropas da Arábia Saudita"

Esta é uma jóia! Eis que a história conhece a primeira guerra motivada por razões..... logísticas!

Marroquinos tende cuidado se ouvirdes que os norte-americanos necessitam de abandonar as Lages... DF

 
União de quê ?? - Ainda não percebi (e tenho tentado, tenho tentado) o que raio é a União dos Blogues Livres? União de quem? Mas acima de tudo, livres de quê? Quem é que se lembra de fazer uma união de blogues livres de uma coisa que praticamente não existe na blogosfera? Não percebendo bem o que é isso da UBL fiquei ainda mais surpreendida quando leio de fonte segura que a UBL vive conturbados momentos. Convulsões internas, expulsões, cortes nas admissões… Tudo isto ainda antes de um primeiro encontro. Não me digam que pensavam que a UBL era democrática. Se ficarem sem fórum de discussão têm sempre o FSP. Não se acanhem. MVS
 
Há coisas do Demo...

Não é que o Herman foi depor e saiu em liberdade?
Onde já se viu alguém ir depor e, assim, sem mais nem menos, sair em liberdade?...
Está aberto um terrível precedente....

Valha-me Deuz..zzz
DF
 
Razões burocráticas:há coisas que nenhuma pessoa normal deve, em momento algum, suportar. A primeira delas é ser tratada como um perfeito imbecil. O senhor Wolfowitz, capanga do senhor Rumsfeld (essa mente brilhante por detrás do inimputável que governa os EUA – há qualificativos que de vez em quando devem ser usados), admitiu em entrevista à Vanity Fair que as armas químicas foram apenas a “razão burocrática” para a guerra, pois a verdadeira razão era derrubar o regime de Saddam para satisfazer os interesses geo-estratégicos do EUA na região. Muito edificante, por isso, recordar hoje o senhor Powell a falar no Conselho de Segurança sobre os camiões que transportavam armas de um lado para o outro. É tudo nojento. Até porque há poucas coisas mais nojentas do que a desonestidade intelectual dos poderosos. Contra esta não há nunca armas suficientes. PAS
 
Sino censurado por Bush. Ontem disseram-me o seguinte. Que Bush vai a Cracóvia. Em Cracóvia parece que há uma grande catedral. Esta tem um sino, um sino daqueles grandes, com um gongo. Este gongo está habituado a agredir as partes internas do sino, produzindo aquele ruído característico conhecido como badalada, o mesmo que dá ao pão de Mafra o seu apreciado paladar agridoce. A catedral parece que badala vai para quatrocentos e tal anos sem parar. No more, says Bush. Quantos atentados, aviões a despenhar-se, guerras do golfo, baías dos porcos, quantas columbines se poderiam dar em, digamos, sete badaladas. E em doze? Ou fecham o sino, ou não vou. Sino censurado. Parece que ninguém, do Papa ao Boniek, vai receber o senhor em Cracóvia. Também estes polacos são uns comichosos com os sinos. RB

 
Dura Constitutio, sed Constitutio

Quanto aos tais artigos históricos da CRP. Sabe, caríssimo DBH, uma Constituição em Democracia, sei que me entende pois já se afirmou um democrata, vale pela sua legitimação e pela sua vivência não pelas boas intenções de umas almas iluminadas.
Por isso mesmo lembro-lhe que, mesmo o CDS não tendo votado a Constituição (antes que isso lhe sirva de argumento, sabe-se lá...), ela foi democraticamente aprovada. Claro está, podia ter-se desactualizado mas Portugal teve já várias revisões constitucionais. Vamos relembrar: 1982, 1989, 1992 (está bem, esta não conta...) 1997 e 2001. Várias oportunidades para os tais artigos históricos passarem à história. Mas ei-los...a vigorarem e com bastante vigor. Se não gosta deles vá pela via democrática e bata-se pela sua revogação. Qualquer outra atitude parece-me pouco democrata. E eu sei que o DBH é um democrata, apesar da confusão que os artigos históricos lhe parecem fazer... DF


 
No qual Império?

Só hoje me apercebo que um dos meus blogs-de-estimação, o Quinto dos Impérios, cita, glosa e comenta abundantemente um dos meus últimos posts. Pena é comentar inventando, ergo, desvirtuando. Crítica sim meus senhores mas por favor atenham-se ao que disse e não as carapuças que servem...
Assim, Diogo de Belford Henriques começa por dizer que sou amnésico selectivo. Pois sim, meu caro DBH, como dizia o grande homem, a memória é arte de esquecer. Mas triste mesmo e pouco original é responder às críticas presentes com lembranças do passado. Vejamos...
Antes de mais, um grande bem haja pela excelente piada da constipação social... agradou-me muito. Como sabe a Esquerda sofre de uma constipação social crónica e galopante...felizmente a Direita, com o vigor que a caracteriza, é-lhe impermeável...assim sempre teremos assunto...
Fico muitíssimo feliz por saber da notificação do Ministro Portas. Só é pena é ser esse o único ponto em que o futuro me viria a provar errado. Se bem que apenas parcialmente, pois fala-se do Ministro Portas a propósito da sua ida a tribunal e não acerca do seu comportamento muito pouco ético-político. Esse tem caído no esquecimento. Dou-lhe já exemplos, já que gosta do revivalismo, para não perder tempo a procurar. Há alguns anos António Vitorino demitiu-se por muito menos... mas eu compreendo...tantos anos para aqui chegar, o sonho de ser Ministro, o pesadelo de poder ter de voltar ao Independente, é compreensível que Paulo Portas se agarre ao poder.
Quanto à comparação com o Dr. Soares percebo sempre essa tentação de "não fui só eu, ele também mexeu no queijo" mas, sinceramente, diga-me lá o cargo político que ocupa o Dr. João Soares? A mim preocupa-me a responsabilidade política não a moral que há-de ficar à consideração de outros poderes.
Quanto ao RSI...bem quanto ao RSI, Diogo de Belford Henriques nada diz...poderei presumir que também o acha criticável? Não se preocupe, o silêncio nesta matéria grassa...
Mas o melhor, na minha opinião, está na importante e sempre vital lembrança de que são as crianças as maiores vítimas. Meu caro DBH, não poderia, por imperativos morais, estar mais de acordo consigo. Mas se a justiça se faz a pensar nas crianças não se deve fazer à custa da imagem pública dos cidadãos que gozam da presunção de inocência até prova em contrário.
Deixo os artigos históricos da Constituição para outro post... DF
quinta-feira, maio 29
 
Meio–Irmão: Custa-me dizer isto. Custa mesmo. Mas não gosto do CD de Sérgio Godinho&amigos ‘O Irmão do Meio’. Quase todas versões são fraquinhas, mal cantadas e não trazem nada de novo. Mas, acima de tudo, são cantadas por pessoas que não devem ter ouvido mais que meia-dúzia de vezes um disco do Sérgio Godinho (Caro Pedro, vais-me desculpar mas é exactamente isto que sinto quando ouço a Teresa Salgueiro). Lembrarmo-nos do Coincidências e ouvir os brasileiros no Irmão do Meio é pouco menos que arrepiante. Excepções? Claro que há: Fotos de Fogo (com Carlos do Carmo e Camané), Dancemos no Mundo (com os Clã) e Mudemos de Assunto (com Jorge Palma). MVS
 
Dias difíceis.

Não sei para onde me hei-de virar. Entre a análise do novíssimo texto da possível Constituição Europeia eis que se iniciam a Feira do Livro e a Lisboaphoto. Como vou conseguir desdobrar-me ubiquamente entre a minha casa, o Parque Eduardo VII, a Cordoaria Nacional e o CCB é que ainda não sei. Vou deixar a política em piloto automático pois já percebi que se avizinham tempos de citações e notificações em que é melhor deixar a poeira assentar para ver que está e quem foi. Aos processos Moderna e Casa Pia junta-se agora um de peculato envolvendo um deputado do PSD. O sistema judicial acordou agora ou é conjuntura astral? De todo o modo prefiro virar-me para a fotografia e a literatura nos intervalos da análise do possível texto fundamental da Europa dos 25. Quer se seja europeísta ou não e tenha este documento sucesso ou não é só por si indicativo de um rumo e estabelece precedentes. A mera exclusão da referência a Deus causa já tumultos, veja-se a Polónia a servir de paladina do Vaticano... Vêm tempos interessantes por aí... DF
 
O sonsinho: quando Bagão Félix finalmente assumiu que a Secretária de Estado da Segurança Social se tinha posto a andar, os seus assessores passavam na comunicação social que as “divergências funcionais” que estavam na base da demissão se deviam, afinal, à visão humanista que Bagão tem da política por contraponto à visão economicista da ex - Secretária de Estado. Nada mais falso. Pelo que nos tem sido dado a ver, neste último ano de desastroso mandato à frente do Ministério, Bagão pouco tem de humanista. É, pelo contrário, um reaccionário radical, dos mais bafientos, no plano social e, por outro lado, um fervoroso liberal no plano económico. Acresce que evidencia uma confrangedora incompetência, já que nenhuma das medidas que toma chegam a bom porto sem inenarráveis trapalhadas, que normalmente metem a Constituição ao barulho. Alguns sinais:
- a “reforma” do rendimento mínimo garantido que quase se esgotou na tentativa frustrada de elevação dos 18 para os 25 anos da idade de acesso a este direito. Em vez de procurar melhorar aquilo que estava mal ao nível da fiscalização, optou por concentrar os seus esforços na mais pura demagogia, pretendendo transformar uma medida de integração social, num estigmatizante – vales sociais?! - expediente de caridade na exclusão.
- a gravíssima revisão da lei de bases da segurança social. Uma medida que é um verdadeiro atentado à segurança das pensões de reforma de todos os portugueses e que serve sobretudo os interesses das seguradoras e dos fundos privados de pensões;
- o novo Código do Trabalho, que ao contrário do que tem sido propalado, serve, não a competitividade, mas os interesses do que de pior, mais retrógrado e mais incompetente há no patronato português.
É preciso ter cuidado, por todas as razões, com este ministro. MK
 
AINDA O MATRIX: Há dias, nos EUA (claro), um jovem matou os pais convencido de que eram personagens virtuais e de que vivia no universo de Matrix. Lembrei-me desta situação: depois da estreia de PSYCHO, um homem, que já tinha sido condenado pelo homicídio da primeira mulher, matou a segunda após assistir ao filme de mestre Alfred. Quando os jornalistas perguntaram a Hitchcock o que ele pensava da influência que o seu filme poderia ter sobre potenciais homicidas, este respondeu com uma pergunta: “Que filme é que ele tinha acabado de ver quando resolveu matar a primeira mulher?”. LFB

 
Marido da Bomba: Pergunto-me quando é que o marido da Charlotte fará um blog. De tantas vezes que ela repete “segundo o meu marido” acho que já se começa a justificar. Estamos à espera. MVS
 
PIPOCAS COM CONFÚCIO: O fenómeno Matrix seduz-me. Não ao ponto de querer vestir-me de preto e pôr-me a despachar inimigos virtuais com golpes de kung-fu. Aliás, uma popular expressão açoriana (não me perguntem a sua origem), diz assim: “Sabes como morreu o Kung-Fu? Com uma matraca enfiada no c...”! Creio que foi isso precisamente o que aconteceu com o RELOADED, a sequela do primeiro Matrix.
É certo que é muito interessante esta imagem de um Neo nascido do encontro entre Jesus Cristo, Armani e Bruce Lee. É certo que não se trata de um filme de acção “normal”. Há ali filosofia, religião, dedos de visionário. Tudo bem mexido numa Moulinex. 1, 2, 3 e já está. Comercial mas bem feito, sem dúvida. Adiante do seu tempo, idem aspas. Mas, neste segundo filme, os irmãos Wachowski atrapalharam-se, de facto, com a matraca. Toca a fazer auto-citações, a disparar em todas as direcções, minando assim a interessante Santíssima Trindade que tinham criado no primeiro filme. É verdade que continuam a revolucionar a forma de fazer cinema (a cena da perseguição, por si só, paga o valor do bilhete) mas, neste segundo filme, esqueceram a lógica interna para nos apresentar um festim visual. E apenas isso.
Então os habitantes de Zion, a última cidade humana, perante a ameaça do fim, põem-se a dançar hip-hop?! E que coisa é esta de acabar um filme com “to be concluded”? Haja respeito pelo público. De todo o modo, é justo que se diga uma coisa que têm sido esquecida: não sei se o maior mérito dos Wachowski foi terem criado um universo que mistura Confúcio com pipocas enquanto recriam as técnicas de fazer cinema. Penso que, mais do que isso, o seu grande mérito foi terem realizado dois filmes protagonizados por Keanu Reeves em que não nos apercebemos que o gajo é um canastrão. LFB
 
PORTUGUESE DO IT BETTER: Não há volta a dar-lhe. O Verão chegou e ainda não foi desta que ganhámos abdominais e deixámos de ser filantropos do ginásio. Curioso é constatar que as mulheres portuguesas estão cada vez mais bonitas e os homens ainda lembram um pouco os gloriosos tempos dos futebolistas dos anos 80. Porquê? Não se preocupem, é uma pergunta retórica... Seja como for, ao andar hoje na rua ocorreu-me o seguinte pensamento: os portugueses fazem-me lembrar os actores porno: suam que nem porcos, usam peúgas brancas, adoram dizer palavrões e dar umas palmadas nas mulheres – mas satisfazem-nas no final. Tirando esta última parte, são tal e qual o português médio. LFB
 
Numero 10: Sobre as polémicas sobre o Rui Costa nos posts anteriores apenas uma palavra: DEEEEEEEEEEECO! MVS
 
A Segurança Social Sou Eu
No aniversário do 28 de Maio, a secretária de estado da segurança social Margarida Aguiar demitiu-se por causa de divergências com o ministro. Bagão revelou depois que por indolência e falta de motivação para levar adiante a reforma da segurança social. O eleitor gostaria de saber que divergências são essas. Se, para Aguiar, Bagão está a cometer erros, o eleitor gostaria de saber quais e porquê. E que “divergências” são essas que só se manifestaram depois da última remodelação? E porque razão neste governo os secretários de estado não vão à bola com os seus ministros?

Bagão acumulará indefinidamente os dois cargos com grande “sacrifício pessoal”, como não se esqueceu de dizer. Ficámos esclarecidos que Bagão deixou de querer partilhar responsabilidades no seu ministério. A política que segue, muito só sua, só ele a pode levar à prática. Está doravante só, reinando absoluto. O Ministro projecta de si mesmo a imagem do homem providencial com uma tarefa redentora a levar a cabo, na qual só ele crê com suficiente fé e a qual só ele sabe como arrostar. Tamanha convicção advém de uma relação estreita com a Verdade e de um sentimento íntimo de Iluminação. Ele será, portanto, o único responsável, o credor de todo o crédito, o autor. Bagão é a segurança social. Eu pensava que o miguelismo político tinha sido derrotado, na prática, em 24 de Julho de 1833. Afinal está de volta, e no governo. Que Deus nos proteja. RB

 
A Damaia, o Benfica e a final de Old Trafford
Duas coisas sobre a Damaia. Encravado na Cova da Moura fica um lar da Santa Casa da Misericórdia, como uma ilha sitiada. Debruçados à janela ou aventurando-se em curtas passeatas ao café da bomba de gasolina, os velhinhos podem ver de tudo, desde a invasão do bairro pela psp de metralhadora em punho, à droga a correr solta, mas também às actividades comunais de construção de arruamentos e saneamento básico. O Bryan Adams quando vinha a Portugal dava sempre um concerto para os amigos no cinema D. Pedro V, do outro lado da Cova, na Damaia de Cima. Quem viu viu, quem não viu, já não vê.

O Benfica. O Benfica, diz e bem o Rui Costa na primeira frase da sua biografia, não é um clube - é uma ideia.

A final. Foi como se esperava, um jogo de Série A jogado em Old Trafford. Concordo contigo, Filipe. Soporífera, jogada por vinte e dois autómatos acorrentados, disse bem o Miguel. Mas só vendo a final e ouvindo os comentários chauvinistas dos italianos para perceber melhor o síndrome. Para eles, a final nunca foi chata, mal jogada, própria para adormecer perus. Não. Para eles, era tudo “tensão agonística”, “partida fantástica”, “passes canónicos”, “números” a dar com um pau e Buffon o melhor do mundo (o Dida só deu a taça ao Milan). O Rui Costa foi claramente o melhor em campo. Sempre que tocava na bola fazia diferença. Pequenas ou grandes fintas, passes a abrir a vertical ou a rasgar o campo de um lado ao outro. O belo lance do golo anulado é todo dele. Em grande forma física, fez aquilo que habitualmente não faz: defender, vir atrás, entrar de carrinho (é certo que quase sempre atrasado, daí algumas faltas). Foi mal e injustamente substituído. RB

 
Leitura indispensável II: Baggio afirma na autobiografia de Rui Costa:

In comune io e lui abbiamo solo la maglia numero 10. Lui è un campione, lo vorrebbero tutti i club più forti del mondo. Certo, io non so fare certe cose che fa lui, però anche lui non sa fare alcune cosa che faccio io ...


Por afirmações de igual calibre e pelas cândidas fotografias de Rui Costa no Fafe e com Rute, vale a pena comprar a autobiografia. Vão até Florença, façam compras nos supermercados Esselunga, peçam a carta Punti Fragola e adquiram com uns singelos 1000 pontitos esta obra indispensável. Vale a pena e pesa menos que o Decameron. PM

P.S. Rui e Sílvia, não abandonem Florença sem um exemplar dessa preciosidade!
 
Leitura indispensável I: Em recordação da final da Liga dos Campeões, ganha pelos funcionários do senhor Berlusconi contra os funcionários da família Agnelli, proponho-vos a autobiografia de Rui Costa, sob o título Il mio 10 per Firenze. Publicado pelas Edizioni An.Ma&San Marco Sport Events em 1998, conta com um muito clarividente prefácio de Mario Sconcerti, do qual aqui se deixa um excerto: "Il segreto istintivo della Fiorentina di Cecchi Gori, quando vince e quando vince meno, è proprio questa ricerca puntuale di giocatori che sappiano evocare un'emozione, un sentimento. Non siamo mai stato una squadra di rottura, fuori dagli schemi del calcio quotidiano. Rui Costa è il simbolo di questa diversità morbida, di questa ricerca di diritti". A discussão está assim lançada: é Rui Costa ainda símbolo dessa diversidade flexível que caracterizava a Fiorentina de Cecchi Gori? E também o é dessa procura de direitos citada desconcertantemente pelo senhor Sconcerti? Parece-me importante abrir aqui a discussão sobre estas duas dimensões do perfil futebolístico de Rui Costa. PM
 
Bafios jurídicos: O advogado brasileiro da senhora Felgueiras decidiu, uns dias logo após a fuga da sua cliente, justificar a natureza política da escapadela, vindo dizer que a lei processual penal portuguesa tem bafios salazarentos. Num processo mediático, provocação e demagogia, para agitar as águas e desviar a discussão do essencial para o acessório, fazem não raro parte da estratégia de defesa. Mas eis senão quando alguns causídicos, com os drs. Júdice e Sá Fernandes à cabeça, vieram corroborar as acusações bafientas do causídico brasileiro, dizendo que o Código de Processo Penal (CPP) de 1929 dava mais garantias do que o actual. E, para cúmulo, o advogado Miguel Reis decidiu publicar, no Público de ontem, um arrazoado justificativo de tal tese. Que sim, que o actual CPP "é um retrocesso brutal em matéria de direitos de defesa". Minuciosamente, põe-se a comparar os preceitos legais do CPP de 1929 (e até transcreve alguns) com as fases do processo penal actual para provar que o advogado brasileiro "tem carradas de razão". Seria fastidioso estar aqui a rebater este tipo de argumentação, até porque o actual CPP tem de ser criticado, não à luz do CPP da ditadura, mas sim no contexto do sistema constitucional vigente. Este tipo de raciocínio é, porém, filho de uma certa forma, infelizmente predominante, de ensinar e entender o Direito em Portugal. Olha-se para o preceito legal, submete-se o mesmo a interpretações extensivas ou restritivas e sistemáticas, e arranca-se a conclusão quanto ao sentido do mesmo. Sentenças, acórdãos, no fundo, a aplicação do Direito em concreto é, em geral, ignorada; o Direito existe e esgota-se, antes, no discurso abstracto amparado nos articulados legais. É, por isso, que os bafios jurídicos passam impunes e são até enaltecidos. Tivesse o advogado Miguel Reis olhado para a jurisprudência produzida ao abrigo do CPP de 1929, as entorses feitas pela mesma às garantias processuais que a Constituição de 33 e esse Código proclamavam, e ter-se-ia, muito provavelmente, abstido de criticar o actual CPP à luz daquele de 1929 e situado a sua crítica, cuja legitimidade e oportunidade de maneira nenhuma se questiona, no quadro constitucional vigente. Só que, não o tendo feito, deixou o bafio penetrar a sua crítica e perder "carradas de razão". PM
 
Começou a pré-época – Campeonato e principais títulos entregues eis que começou a pré-época futebolística. Como é que eu sei? É fácil, os benfiquistas começaram a falar. Nos últimos dois dias tivemos posts a gozar com o Sporting, posts a elogiar o Sokota, posts a idolatrar o Rui Costa. (Ainda perguntavam porque é que eu torcia pelo Porto na Taça Uefa...) Pois é, caros amigos, vamos iniciar a parte do ano em que o benfica é o melhor do mundo: o teamaço, equipa maravilha, espinha dorsal da selecção.... Até aos primeiros jogos da próxima época eles são os campeões. Não há nada a fazer. Tem sido assim ano após ano, e não há maneira de ganharem vergonha. MVS
 
A sombra Nestes dias ensombrados, cada vez que olhava para as camisolas do "Milan de Rui Costa", como diria qualquer jornalista português que aspire à carteira profissional, vi o sorriso de Berlusconi a pairar sobre as cabeças dos jogadores. Mas que se lixe. Parabéns, Rui. MC
 
Rui Costa: o nobel da poesia no pé direito Não sei se a poesia é concreta ou não (e desde quando é que a melhor poesia é suposto ser, ó Filipe?), mas o facto é que só nas mentes de alguns sportiguistas, entre fanáticos e envergonhados, e mais uns quantos portistas é que o Rui Costa não é um dos melhores nº10 do mundo. Só por confesso ódio de estimação (e não é preciso confessar estas coisas, de tal maneira elas são manifestas) é que se pode falar do Rui Costa como um tipo que manda bolas para a bancada - ou então por não se perceber, ou não gostar, de futebol. São 3 bolas para a bancada... e outras 3 para um avançado isolado a 30 metros, outras 3 para um médio que se desmarca milimetricamente nas costas, outras 3 ainda a variar o jogo no momento certo. Beleza, inteligência, equilíbrio e rasgo, tudo num compasso perfeito, e com a classe estratosférica dos predestinados. Pela primeira vez num clube à sua dimensão depois de ter saído do Benfica, Rui Costa foi ao longo de toda a época decisivo para devolver ao Milan os títulos, e conquistou para si o grande troféu que já faltava à sua carreira. Mas o maestro de Milão não serve, ao que parece, a muitos entendidos do futebol cá do burgo. Só pode ser por estarem penosamente mal habituados. MC
 
Rui Branco Costa - «Rui Costa Campeão Europeu!» É com este grito de guerra que Gabriel Alves termina mais uma memorável jornada de ciência futebolística. Acho vergonhoso que os nossos chefes de Estado e de Governo não tenham estado presentes. Nem sequer o Prof. Marcelo se dignou a aparecer. Só pode ser antibenfiquismo primário.

De resto, a final da liga dos campeões foi previsível. A crónica podia, aliás, ser escrita dias antes. Entre equipas italianas, o jogo acabou em 0-0. Como acontece nos mundiais, nos penalties, o guarda-redes brasileiro teve mais sorte. E o nosso Rui Costa (o meu ódio de estimação) brindou o Old Trafford com poesia, sim, mas nada concreta, meu caro Rui (Branco). Mais um festival de bolas para a bancada. É isto que o impede de ser um Platini, por muito que custe aos meus amigos benfiquistas. O Rivaldo não falhava aquilo. Volta para o SLB, pá, a malta dos outros clubes agradece.

PS: Rui, espero que tenhas fair play. Lembra-te que eu sou aquele gajo que te (vos) pagou uma jantarada por ter dito antes do mundial que o Nuno Gomes ia marcar mais golos do que o Pauleta. São coisas que acontecem. FN
quarta-feira, maio 28
 
A LEI DE MOURINHO: Odeio o Porto e digo isto com tudo o que o clubismo tem de faccioso. Abomino a ironia fácil do seu papal presidente, o discurso inflamado contra Lisboa e o Sul, o claro benefício que, durante anos, foi dado aos portistas pelas equipas de arbitragem.
Este era o ponto 1.
Ponto 2: foram, de longe, a melhor equipa do campeonato. E conseguiram, com a conquista da UEFA, levar-me a fazer o mesmo que acontecera, tinha eu 10 anos, quando levaram a Taça dos Campeões Europeus sobre o Bayern de Munique. Chorar. Vibrei de emoção com o jogo frente ao Celtic.
A RTP teve uma das suas maiores audiências de sempre, muito rara em transmissões de jogos do Porto, e não foi apenas por se tratar de uma final. Foi por uma questão de auto-estima. Os portugueses precisam urgentemente de a recuperar, de motivos para se sentirem orgulhosos, e o Porto deu-nos isso.
Ponto 3: Odeio Mourinho.
Como benfiquista não me arrependo um segundo por não ter ficado no Benfica. Chantageou a Direcção e não quero chantagistas no meu clube. Além disso, deixou-nos em 5ºlugar, convocou uma conferência de imprensa apenas para humilhar publicamente um jogador (Sabry), e era ele quem estava sentado no banco quando o Benfica foi eliminado da UEFA por uma equipa sueca cujo nome é parecido com “almôndegas”. Não suporto a sua arrogância, a bazófia, o discurso na primeira pessoa. Passou despercebido na euforia mas a primeira referência que Mourinho fez aos jornalistas sobre os seus jogadores, depois de ganhar ao Celtic foi “que tinham visto dezenas de vídeos das bolas paradas escocesas e estava muito irritado com os dois golos sofridos”. Antes disso, perorara sobre as dificuldades que ELE teve de enfrentar, o facto de ELE ser o primeiro português a ganhar a UEFA, as alterações que ELE se viu obrigado a fazer. Pior: Mourinho é um mestre do seu próprio marketing. Esperou tranquilamente que o plantel se perfilasse, medalha ao pescoço, para a fotografia e, posto isso, desatou a correr para algo nunca visto: um treinador, só, a dar a volta da glória ao estádio.
Concedo-lhe isto, e não é pouco: é brilhante. Contra factos não há argumentos. Convence Nuno Valente de que pode jogar como Roberto Carlos e ele entra em campo com essa convicção. Se fosse jogador, adoraria estar num balneário fechado a escutar este “mister”. Mas, mais do que saber perder, Mourinho tem de aprender a ganhar. Um dia vai cair porque não se pode ganhar sempre, e quanto mais alto se sobe...
Diz-se que, aos 15 anos, foi graças a um relatório seu que a equipa treinada pelo pai ganhou um jogo decisivo. Até acredito. Desejo-lhe o melhor. É raro haver portugueses bons e arrogantes. Destas histórias se fazem as lendas. Mas não me obriguem a gostar dele.
Antes do jogo Mourinho dissera aos jornalistas escoceses: “em Portugal dizem que sou arrogante. Pois eu digo-vos que não sou arrogante. Sou bom”. Pois é. Eu cá sou completamente diferente. Sou muito humilde. Aliás, não é para me gabar, mas sou o tipo mais humilde do mundo. LFB
 
SOKOTA: Esta aconteceu há algumas semanas mas passou despercebida. O Benfica jogava no Restelo e já dominava o jogo quando o mais incompreendido (e atípico) ponta-de-lança do futebol moderno, Nuno Gomes, descobriu Tiago com um passe magistral. O jovem génio do meio-campo benfiquista encarou, isolado, o guarda-redes belenense e, sem hesitar, com a baliza à sua mercê, preferiu passar a bola para o lado, oferecendo o golo a Sokota. Admirei-me com a reacção do croata. Após empurrar a bola, em vez de festejar, virou-se para Tiago gritando com ele. Pensei ler-lhe nos lábios: “Porque não marcaste tu?” – e confirmei essa impressão numa pequena nota de jornal. Aquilo que Tiago respondeu nem eu nem o jornalista percebemos mas o abraço sentido que os dois craques deram ficou como uma das mais belas imagens desta SuperLiga.
Já Camus dizia que, tudo o que precisara de aprender na vida, ensinara-lhe o futebol. A mim, aquele gesto de Tiago para Sokota, um jogador que esteve ano e meio parado, em risco de nunca mais jogar futebol, é uma demonstração perfeita de amizade. Tão sublime que se faz arte. E só superável pela primeira reacção, indignada, de Sokota. É por isso que o croata é um dos meus jogadores preferidos: um exemplo de orgulho, de raça, de lealdade. Coisas destas até o futebol português consegue, de vez em quando, ensinar. LFB
 
Rui Costa: Damaia entra em Old Trafford para ganhar.
Força, força Rui. Não é todos os dias que um meu homónimo conterrâneo da Damaia joga a final da Liga dos Campeões. Que ganhe o Milan, pois claro e apesar do Berlusconi. Para quem gosta de poesia concreta e porque a bola é haiku em movimento: Old Trafford. Red Devils. Benfica. À rasca. Volta. Pá. RB

 
Jornal Diário: Comissão de Inquérito do caso Camarate toma hoje posse. Será que estou a ler o jornal de hoje ou houve um virus qualquer que trocou as datas? É que tenho a sensação de já ter lido esta notícia em qualquer lado. MVS
 
MONSTRO DAS BOLACHAS VS. TERRORISMO: Os oficiais norte-americanos estão a usar temas dos Metallica e da Rua Sésamo nos interrogatórios aos prisioneiros iraquianos, com o intuito de os fazer falar sobre as alegadas armas de destruição maciça. Leram bem: Metallica e Rua Sésamo. Quem não fala, é obrigado a ouvir músicas destas durante longos períodos de tempo.
Sonho com o dia em que poderemos escutar os Adiafa no julgamento da Universidade Moderna. Aí é que eu gostava de ver se a justiça portuguesa não se tornava logo mais rápida e eficaz... “As meninas da ribeira do Sado é que é...” LFB

 
BANANAS:A semana passada um grupo de cientistas norte-americanos defendeu que as semelhanças genéticas entre nós e os chimpanzés são tão grandes que estes primatas deviam ser também incluídos no género “homo”. Em linguagem corrente, o que os senhores propõem é que os chimpanzés entrem na nossa família. Portanto, já sabe: além de ter uma reserva de cervejas e bolachas para aquelas visitas inesperadas de parentes distantes, é melhor ir guardando umas bananas também. Nunca se sabe quando o Macaco Adriano pode bater-nos à porta: “Oi, primão! Há quanto tempo!”. LFB
 
INSÓNIAS:

Partira. E por isso me doía a cabeça e não
dormira a noite toda. Ficara enrolado nos
lençóis, à escuta, esperando um regresso,
esperando não sabia o quê.
Compreendia que continuava ainda na mesma
sensação de expectativa,
à espera de qualquer coisa, numa ansiedade que não
passava como se a vida não pudesse mais
ser a mesma, apesar do próximo Inverno
apagar inexoravelmente todos os sinais.

J M Fernandes Jorge
MVS

 
JAMES BOND, o prostituto que não sabia que o era. Não me interpretem mal. Vejo e revejo os filmes do mais charmoso agente de Sua Majestade e sempre com grande entusiasmo (até dobrados em italiano, se for preciso). Aprecio as máquinas (sempre gostei de carros alemães), os engenhos, as frases imortais – parte da natureza do personagem e da essência do filme, a panóplia de efeitos especiais irreais e o homem maduro na sua imagem de miúdo rebelde e pouco ortodoxo, acima de qualquer regra ou lei... que acaba por salvar o mundo. Admiro, particularmente, a postura, o bom gosto e o cavalheirismo no ser canalha, facto que, estou convencida, deriva da sua nacionalidade britânica. Recentemente, porém, tenho-me questionado até que ponto os seus métodos, nomeadamente, o uso do seu charme e, porque não dizê-lo, do seu corpo, como formas de obtenção de informações, favores, cumplicidades e cooperação por parte de agentes concorrentes ou inimigas, ou companheiras do “mau da fita” (disfarçados de conquistas – daí a sua categoria) não fazem dele um prostituto ao serviço de Sua Majestade. Mais, atendendo ao carácter dúbio desta relação prostituto/cliente e respectivo pagamento, questiono-me se James Bond não será na realidade uma p**a no masculino (ou tal coisa, simplesmente, não existe?). Claro que as mulheres, denominadas Bond Girls, são todas “gajas boas”, mas e se não fossem? Não faria Bond de igual modo (e bem, devo acrescentar) o seu trabalho? Resta-me apenas uma dúvida: quem representará o prostituto que se segue? SS
 
URGENT BUSINESS PROPOSAL: Filho, sobrinho, primo de ex-ministro, chefe de Estado, brigadeiro, gestor do banco X de Angola, República Democrática do Congo, Sérvia, herdeiro, ou nem por isso, de montantes estúpidos de dólares americanos, ouro, diamantes, precisa de assistência para pôr as mãos no dito guito e afins, antes que um governo mauzão e corrupto se antecipe. Negócio a risco zero com rendimento garantido, calculado aplicando uma taxa choruda ao valor “salvo”. Como resistir? SS
 
Não se perde a memória Já se sabe que o sporting é um clube de gente de bom gosto, sem paciência para as piroseiras que abundam ali para os lados da Luz. Foi por isso que fiquei um tanto ou quanto surpreendido com a peça de fina literatura que recebi em casa, como brinde de um jornal diário: um intrigante folheto que não resisto a partilhar com os portugueses, e de modo muito especial com os meus amigos fanáticos do sporting.

Depois da (literalmente) vitoriosa despedida do estádio “cenário dos maiores feitos da história do SCP” (foram poucos, mas foram os maiores, é certo), “não se perde a memória e fica a gratidão”, informa-nos gentilmente a sporting sad. Bonito, sim senhor. Vai daí, propõe-nos uns recuerdos imperdíveis. Tão imperdíveis que é difícil escolher.

Comecemos pelos pisa-papéis, esse objecto de grande valor sentimental. Sportinguistas, agora já podem adquirir um “pisa-papéis esfera com relva” pela módica quantia de 19,50€. E que tal um “pisa-papéis com betão e foto”, mais acessível (provavelmente porque não tem a preciosa relva) – apenas 4,95€? Olhem que é mesmo uma pechincha. Depois, temos também um original “porta-fotos cilíndrico com relva”, um magnífico “porta-chaves com relva”, todos muito em conta, e uma maravilhosa “medalha com relva para fio (não incluído)”, ideal para juntar ao cruxifixo da praxe. Há ainda uma “moldura triangular com betão e foto”, como calcularão linda de morrer. Mas o topo de gama é mesmo o “quadro foto estádio com disco de relva” embutido na imagem e emoldurado em madeira. Trata-se de uma “série limitada e numerada”,preciosidade ideal para abrilhantar qualquer sala. Fregueses, é escolher.

Repare-se como o sporting inova - não vende apenas a erva do seu estádio, mas também os bocados de betão - e como a distinção de que os sociólogos tanto gostam (e o meu amigo RB citava num post recente) funciona também aqui, nas pequenas coisas, onde o algodão não engana. É que quem pensa que esta relva é vulgar, como as outras, está muito enganado. Não. Esta relva "foi preparada através de um evoluído processo tecnológico, sendo posteriormente fundida em acrílico, por forma a manter eternamente intactas as suas propriedades e a sua cor original". O "eternamente" é que me cheira a esturro, mas pronto. Isto é mesmo um folheto de antologia, para a eternidade.

Sportinguista: “Aproveite esta oportunidade única de guardar um pouco da grandiosa História do Sporting Clube de Portugal”. Faço minhas, por uma vez, as sábias palavras da sporting sad. Aproveitem mesmo, porque já que a história do sporting de grandiosa tem objectivamente muito pouco, mesmo sendo vendida aos bocadinhos o melhor é correr antes que esgote. MC

 
Mulholland Drive - Um grupo de amigos teve a brilhante ideia de me oferecer pelos anos um DVD (sim, o aparelho propriamente dito). Comprei, por isso, hoje o meu primeiro DVD da Série Y do Público: Mulholand Drive, de David Linch. Depois de muito esforço, lá consegui ver o filme. Ao contrário do velho VHS, o problema do DVD não está nos cabos ou na sintonização, mas sim no complexo comando. Para além de 10 números, o comando tem os seguintes botões: 3D (Massive Attack?), replay, skip, bookmark, angle, subtitle, audio, menu, zoom, repeat. O único que utilizei foi o zoom porque a minha televisão é pequena e a cena entre Betty e Rita merece uma atenção redobrada.

Por outro lado, os DVDs não trazem apenas o que interessa (o filme), mas também uma panóplia de conteúdos que se sobrepõem, como o making of, as entrevistas, o dossier de imprensa, as filmografias (?) e os screensavers (?). Primeiro que se comece a ver o filme é um problema. Daí só estar a postar a estas lindas horas. Já tinha visto o Mulholland Drive no cinema. Gostei, mas na altura não percebi muito bem porquê. Desta vez, voltei a gostar, e continuo sem perceber porquê. No fim do DVD, o David Linch (pobre Isabela Rosselini) deixa-nos generosamente 10 pistas:
"Reparem no início do filme" (golpe baixo: é sempre a fase em que a pessoa se está a sentar)
"Reparem nas sombras da lâmpada" (qual lâmpada? aquela que se fundiu com a saída do cowboy anão?)
"Título do filme do Adam" (não me lembro)
"Um acidente é um acontecimento terrível" (pois...)
"Quem entregou a chave e porquê?" (isso era a função da administradora do condomínio, que mais tarde aparece como mãe do cineasta)
"Reparem no vestido, no cinzeiro e na chávena" (só reparei nos vestidos e pareceram-me genericamente bem)
"O que se sente no Club Silencio?" (não sei, qualquer coisa algures entre o Maxime e a Lontra?)
"Apenas o talento ajudou Camille?" (acho este «Apenas» insultuoso para a bela Laura Elena Harring)
"O que aconteceu ao homem nas traseiras do winkies?" (sei o que me aconteceu a mim: virei a cara para evitar a cena mais gratuita do filme)
"Onde está a tia Ruth?" (deve estar algures no Brasil)

O que me dizem disto? FN
 
La siesta É de saudar a vitalidade da sociedade civil em Portugal. E não, não falo do forum social português. Falo da recém-criada associação para a defesa da sesta, formada por um conjunto de iluminados que pretendem ver reconhecido o direito à sesta em geral e de uma hora pós-almoço para os trabalhadores, no código do trabalho, em particular. Genial. Como é que nunca ninguém se tinha lembrado disto?

Quem me conhece sabe que não esperei por qualquer consagração legislativa de direitos, nem por qualquer associação de defesa desta prática milenar. Reclamo para mim o inalienável direito e prazer de dormir, a qualquer hora do dia, em qualquer local, em quaisquer condições de conforto e de ergonomia, na presença seja de quem for e independentemente da situação de trabalho ou de lazer em que me encontro. Literalmente, I just don´t care.

Mais: aposto nos efeitos positivos de uma boa sesta para a vaca fria da produtividade do país: mais energia, mais disponibilidade para trabalhar, mais boa disposição. E mesmo que assim não seja, ninguém tem o direito de nos tirar o direito a sonhar...a dormir. MC
terça-feira, maio 27
 
O FILHO DE ROGER MOORE: Mark Kirkby foi meu professor no 2º ano de faculdade. Lembro-me bem do dia em que levei um raspanete porque entrei na sala de boina. Já lhe perdoei ter-me estragado esse acto fútil de rebeldia para impressionar as colegas. De todo o modo, ele e eu éramos as únicas pessoas interessadas nas aulas de Relações Económicas Internacionais: o Mark porque as dava com dignidade e eu porque tinha os mesmos apontamentos que ele (graças a Nosso Senhor Jesus Cristo!).
Em conversa de bar, diziam os seus alunos que o Mark, no seu metro e noventa, cabelo alourado e olho azul, fazia lembrar um muito jovem Roger Moore, o 007 brincalhão – my personal favourite (e devo estar aqui a iniciar uma polémica).
Mas porque trago à baila o nome deste parceiro de blog? Por causa das imagens em que MK, em segundo plano, acompanha um Ferro Rodrigues transtornado no dia em que foi levantada a imunidade parlamentar a Paulo Pedroso e este iniciou um interrogatório de 14h de onde saiu para a prisão.
Vi essas imagens muitas vezes, ao longo dos serviços noticiosos desse dia e do dia seguinte e será essa imagem que guardarei pela vida fora. Porque, entretanto, os anos passaram e tornei-me amigo do meu ex-prof. Habituei-me a encontrar MK por acaso, de visita à minha ilha, no restaurante perto da sua casa, nos nossos bares preferidos. Nunca tive com ele uma conversa que durasse mais de 15 minutos mas foi a sua expressão fechada, o passo lento, sempre dois metros atrás de Ferro, o ar cabisbaixo, que me emocionaram no dia de mais uma terrível notícia. No rosto de MK liam-se a tristeza e a impotência e isso apenas o tornou mais humano. Apenas me lembrou que, seja qual for a verdade por trás deste terrível processo, há homens insuspeitos que também são – inevitavelmente – atingidos. E sofrem. Não precisam da nossa compaixão, mas sim daquilo que todo o país necessita e ninguém parece ter para dar: serenidade. LFB
 
XIXI, CAMA! Os Rolling Stones vão poder tocar quase até à meia-noite no Estádio Olímpico de Berlim. Foi esta a decisão de um tribunal alemão, depois de uma queixa apresentada por pessoas que residem perto do estádio e receavam não conseguir dormir na noite do concerto. Dá-me ideia que não era preciso esta gente ter-se dado ao trabalho de meter tribunais ao barulho. Se pensarmos na média de idades dos membros dos Stones é fácil concluir que, à meia-noite, os velhinhos já devem estar na cama... LFB

 
DEZ REGRESSOS: O Nuno Costa Santos é um dos meus melhores amigos. Ensinou-me a “Teoria da Crueldade” segundo a qual é obrigação dos amigos, acima de tudo e antes de todos, criticarem-se uns aos outros. O verdadeiro amigo é aquele que nos dirá, por exemplo, sem meias tintas, que não devemos ir à Operação Triunfo se cantamos da mesma forma que a Teresa Guilherme no duche. O amigo não dá palmadinhas nas costas que não sejam sinceras.
Ao longo dos anos perdi a conta ao número de projectos em que trabalhei com o Nuno, quase sempre porque ele me chamou ou indicou para os mesmos. À custa do seu talento, iniciativa, perfeccionismo, convicção, ética, competência e rigor.
Tudo isto a propósito do seu primeiro livro, DEZ REGRESSOS, lançado há cerca de 15 dias, em que todas estas qualidades se revelam. Um livro depurado com a paciência de um cientista, com o afinco de um matemático e com a alma de um poeta. No seu livro, o Nuno trata as personagens como trata os amigos, com sinceridade, com verdade, com crueldade – quando é preciso. Em 10 histórias que se cruzam disfarçadas de novelas, o autor oferece-nos, sem darmos por isso, um romance polido como um diamante, sem uma palavra a mais ou a menos.
Numa era de sub-produtos literários distribuídos a eito, gosto de pensar que os DEZ REGRESSOS estão numa estante, em casa, tranquilos, disponíveis para serem relidos sempre que me apetecer. LFB
 

Lamentável Ribeiro Ferreira: a cada artigo que escreve, Ribeiro Ferreira confirma a ideia de que em Portugal na larga maioria dos casos não é o mérito que promove as pessoas, antes pelo contrário. No editorial de ontem, o director-adjunto do DN passou todos os limites do aceitável, em termos de desonestidade intelectual e, até, em termos jurídicos. Diz Ribeiro Ferreira que "o PS, com o seu comportamento, que pouco tem de emocional, na medida em que soube bastantes dias antes o que iria acontecer a Paulo Pedroso, está de facto a tentar encostar a justiça à parede e a impedir que a investigação à rede de pedofilia vá até ao fim, custe a quem custar." Registe-se o facto de para Ribeiro Ferreira a emoção de ver um amigo preso injustamente ser algo que se dissipa em poucos dias. Mas para além desta provocação, RF acusa o PS e o seu Secretário-Geral de terem por objectivo impedir que o caso Casa Pia seja investigado até ao fim. Pode-se discordar da atitude política do PS e de Ferro Rodrigues - que visa e proclama explicitamente o objectivo contrário ao afirmado por RF. Pode-se teorizar acerca dos efeitos que esta posição política possa vir a ter, de facto, sobre as instituições judiciárias, o sistema de justiça e o próprio processo. Agora, quando o director-adjunto de um jornal de referência acusa sem pudor os responsáveis do PS de crimes de obstrução à justiça e insinua conivência institucional com eventuais pedófilos, está tudo dito sobre o calibre intelectual e cívico de Ribeiro Ferreira e sobre a isenção a esperar do DN neste processo. Aliás, a capa de hoje deste diário é reveladora disto mesmo. MK
 
RESGATES: Reacção do PP ao envio do Código de Trabalho para o Tribunal Constitucional: "Vale a pena ponderar se um Governo maioritariamente e democraticamente eleito pode continuar constantemente refém da Constituição, que é suposto servir o país". Pronto. Descubram lá quanto é o resgate. MVS
 
Ser alternativo
Há um par de anos, vi um programa de Luísa Castelo Branco no CNL no qual jovens adolescentes discutiam estilos de vida alternativos. Lá estavam, entre outros, o marialva toureiro de camisa às riscas da Lusíada, o vegan macrobiótico do Frutalmeidas, o dark punk bairro-altino de cabelo verde e um beto com ar lavadinho, camisa de marca e cabelo curto. E cada um lá explicava o que fazia, o que comia, que música ouvia, a que oras e com quem se deitava. Era admirável o à vontade com que manipulavam rótulos, como percebiam instintivamente a sociologia da distinção e a facilidade com que se entendiam nos intrincados processos da identidade e da apresentação do eu na vida de todos os dias. Ou seja, todas aquelas chinesices que um jovem aprendiz de sociólogo pena para aprender dos livros. Ao fim de um bocado, percebi que o único realmente alternativo era o rapaz com ar de beto. Assumido conservador e católico, uma flor da catequese sempre de guitarra na mão pronto para cantar hossanas em louvor do seu Senhor. Os outros, o vegan, o punk, eram insuportavelmente maçadores e previsíveis, debitando umas atrás das outras as banalidades do establishment alternativo.

Noutro dia, alguém dizia que a vida contemporânea é caracterizada por uma angústia permanente: algures está a acontecer aquela festa onde estão os belos e inteligentes e eu não fui convidado. E andamos nisto de andar sempre a tentar entrar nessa festa. Afirmar que a procura de um certo estilo de vida se converteu na mercadoria mais desejada é dizer o óbvio. Sucede que isto gera a procura obsessiva e doentia da "autenticidade", por um lado. Por outro, acaba por produzir o mainstream do alternativo que será, dos mainstreams, o mais mortalmente chato e ridículo. Lembrei-me disto a propósito da seguinte frase escrita por George Orwell em 1949, ao preparar a sua derradeira recensão, ao Brideshead Revisited de Evelyn Waugh.
Within the last few decades, in countries like Britain or the United states, the literary intelligentsia has grown large enough to constitute a world in itself. One important result of this is that the opinions which a writer feels frightened of expressing are not those which are disapproved of by society as a whole. To a great extent, what is still loosely thought of as heterodoxy has become orthodoxy. It is nonsense to pretend, for instance, that at this date there is something daring and original in proclaiming yourself an anarchist, an atheist, a pacifist, etc. The daring thing or at any rate the unfashionable thing is to believe in God or to approve of the capitalist system. In 1895, when Oscar Wilde was jailed, it must have needed considerable moral courage to defend homosexuality. Today it would need no courage at all: today the equivalent action would be, perhaps, to defend anti-Semitism. But this example that I have chosen immediately reminds one of something else – namely, that one cannot judge the value of an opinion simply by the amount of courage that is required in holding it. RB
 
O enclave basco: O projecto constituinte europeu, revisto e tornado público ontem pelo Praesidium da Convenção Europeia (prometo que voltarei a este tema em breve), preceitua sob a epígrafe "The Union's values" o seguinte:

The Union is founded on the values of respect for human dignity, liberty, democracy, the rule of law and respect for human rights. These values are common to the Member States in a society of pluralism, tolerance, justice, equality, solidarity and non-discrimination.

Infezlimente, não parece ter sido ainda, desta vez, que o País Basco poderá rever-se nestes valores. Basta ler o que nos conta Nuno Ribeiro hoje no Público sobre a aceitação, por parte de mais de 127 mil eleitores, do apelo etarra ao voto nulo. Mas como uma imagem consegue, por vezes, condensar todas as palavras e relatos possíveis, nada melhor do que a fotografia, publicada ontem no El Pais (o site está sujeito a a pagamento, não vale por isso a pena remeter para o mesmo, mas podem encontrá-la na pág. 19), de Arnaldo Otegi, porta-voz do ilegalizado Batasuna, exibindo, antes de votar, um panfleto do sucessor do HB, a plataforma eleitoral AuB também recentemente declarada ilegal pela justiça espanhola. Não vale a pena a dizer mais nada! PM
segunda-feira, maio 26
 
Minhas senhoras, meus senhores.
Caros amigos,

Para ser totalmente sincero a situação do Paulo Pedroso afecta-me apenas indirectamente. Afecta-me pois vejo amigos de rastos, como eu estaria de rastos se fossem eles os visados por este processo, este sim, kafkiano, em que todos acusam, todos apontam mas ninguém é conclusivo ou prova seja o que for. É um processo de índicios e intenções. E que, só por isso, é condenável. Tenho particular interesse no oculto, das teorias da cabala, passando pelos Templários, até as modernas Maçonaria, Opus Dei e Serviços Secretos, e sei, por isso, que por cada fluxo oculto, há um contra refluxo. Já isso nos dizia Newton na sua 3ª lei: Por cada acção há uma reacção com a mesma direcção e força e de sentido inverso. Assim deixemos as investigações e confiemos, mesmo que sem razões para tal. Deixemos operar a justiça, que a há de muitas formas. E à luz, à claridade, façamos outra luta pois é essa que importa: não deixemos que a agenda política se transforme na discussão evidentemente estéril sobre inocentes e culpados. A inocência e a culpa, como se sabe pelo cristianismo, são relativas. O que nos deve interessar aqui, no País Relativo, é esse país que está a ser obscurecido, alvo de uma manobra de diversão. Para que não se fale do Caso Moderna ou do Ministro Portas, para que não se fale do aumento da taxa de desemprego, para que não se fale do Rendimento de Reinserção (porque é
que isto me soa a constrição social?). Para que não se fale, no fundo, do país que há e que está aí e que há falta de pão e circo (que já não convencem ninguém) se tenta alienar com falsos escândalos e atacando quem critica, propõe e trabalha. Eu por mim, escreverei sobre o Paulo Pedroso, não escrevendo sobre ele, mas sobre temas que, como a ele, me preocupam. Sobretudo pela forma como este Governo não os trata, os maltrata ou ignora. DF

 
Reforços: Tenho o prazer de ser eu (vantagens de ser chamada de controleira) a postar o primeiro post do Luís Filipe Borges. E, Luís, o prazer é nosso. E de quem nos lê. MVS



DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS: Este é o meu primeiro post. Entendo que todo aquele que se leva suficientemente a sério para escrever opiniões que outros lerão deve, antes de mais, explicar-se. Quais os seus fundamentos, bases, orientações, influências. Dito isto, cá vai:

1) o País Relativo é visto e comentado por muitos como “um blog dos delfins socialistas”. Não acho “bem” nem “mal”. Devo contudo dizer o seguinte, não sou militante nem sequer socialista.
2) Na minha ingenuidade, duvido de um mundo e de uma história em que se divide a orientação política e ideológica de cada um em esquerdas e direitas. Sou de direita sim, na minha base de carácter, não acredito na utopia do “não serei feliz enquanto os outros não forem felizes”. Gosto de saber, todavia, que há quem acredite. Vejo Portugal como um país despolarizado que, desde há muito, vota em pessoas e não em partidos. Duvido ainda da cega convicção em princípios apenas de direita ou somente de esquerda. Sempre me fez lembrar as guerrinhas entre índios e cowboys. Por exemplo, devo afirmar que – em matéria de cultura – oriento-me por um princípio de esquerda que considero essencial. A meu ver, a cultura caracteriza uma nação, um povo. Cultura, para mim, é educação. E a educação, ninguém o discutirá, seguramente, deve ser garantida pelo Estado.
Ponto final: os meus amigos íntimos chamam-me um “católico, de direita, com atenuantes em ambas”. Curiosidade, nunca votei à direita.
3) Referi a Cultura para deixar claro que será essencialmente de assuntos que lhe digam respeito que falarei, aqui, no País Relativo.
4) Certo é que tenho o prazer de ser amigo de PAS, FN, MC e MK. Gosto deles, daquilo que perseguem e do que escrevem. Escreverei, certamente, sobre eles, os seus textos e os assuntos que nos interessarem a todos. Penso que essa é uma função dos blogs – a discussão interna ou até – porque não? – o “elogio mútuo” (para roubar a expressão à Geração de 70).
5) Blogs. Passaram-me ao lado no princípio mas dizem-me que há já várias centenas em Portugal. Começam a ser citados nos jornais, discutidos em eventos e “tertúlias”, lidos por algumas centenas. Vejo a coisa da seguinte forma: mais uns meses e os “Fedorentos”, os “Relativos”, os “Infames” e os outros, constituirão uma espécie de gangs de intelectuais, livro debaixo do braço em vez da faca no bolso de trás, gravata ou roupa escura em vez do boné ou da roupa larga – e a imagem diverte-me.
6) Decidi colaborar porque gosto do formato “crónica”, porque não tenho uma na imprensa, porque aprecio as polémicas, porque gosto de opinar, porque penso que a influência dos blogs crescerá. Gosto da ideia de editar um post seja qual for a hora do dia e de pensar que os blogs podem ser um novo e importante instrumento dos media, um paradigma da liberdade de expressão (vejam o badalado “O Meu Pipi”).
7) Sou benfiquista. Doente.
8) Sou açoriano. Orgulhoso.
9) Sou associado das Produções Fictícias.
10) Sonho ser pai e realizar uma longa-metragem. Tenho 25 anos, licenciei-me em Direito pela Clássica de Lisboa, fiz 7 trabalhos como actor profissional e outros tantos como actor universitário. Nunca tive ídolos mas gosto de gente como Jorge Amado, John Steinbeck, Bono, Stuart Staples, Tim Booth, Lloyd Cole, Perry Blake, Herman José, Pablo Neruda, Leonard Cohen, Jean Genet, Oscar Wilde, Eça de Queiroz e mais uns quantos, numa lista tão heterogénea que se torna cómica. E é isto.
LFB
 
Serviço Público: O Bloco-Notas disponibiliza um blog que (nos) informa de todas as actualizações de todos os blogs portugueses. Está aqui e é serviço público! MVS
 
Dois Livros: A poesia tem direita e esquerda. Escondidas por detrás das referências, dos objectos, dos caminhos, dos locais. Mas poucas vezes das palavras. MVS
 
Locally Owned, Independently Run - Encontro um marcador de uma livraria perdido nas páginas de um livro, Harvard Book Store é uma excelente livraria. Visito o seu site à procura de livros, é a minha forma de lá regressar. Só existe ali, bem perto de Harvard Sq. e a sua cave é um dos locais onde no fim dos anos lectivos os alunos vendem os seus livros. Lá encontramos livros que passaram por muitas gerações de alunos por dois ou três dólares e eu fico sempre surpreendida como se vendem os livros assim (ainda não estou preparada para o bookcrossing). Gosto deste slogan porque tem tudo a ver com os Estados Unidos. MVS
 
SNS: Foi na passada semana publicado o Relatório do Observatório Português dos Sistemas de Saúde. Diz-se no relatório que existem neste momento mais listas de espera (resultantes do novo sistema remuneratório dos médicos e das novas contractualizações),mais dinheiro gasto pelo Estado e pelos contribuintes em medicamentos, menos controle sobre as novas formas de gestão hospitalar. Com tudo isto, quem ganha com as transformações abruptas que o governo fez no Serviço Nacional de saúde? O défice e a Manuela Ferreira Leite. MVS
 
Eu e as manas Corr
Eu tenho acompanhado de longe a carreira das manas Sharon, Caroline e Andrea Corr, já que a do seu irmão Jim não me interessa nada. Ainda me lembro de ver a Andrea, na flor vibrátil da sua adolescência, encher de acne algumas cenas do filme The Commitments. Eu a propósito da Andrea vou aqui abrir um parêntesis. Veja-se o site da banda. Aí se informa que Andrea, fortemente escolarizada num convento, é a brainiest. Vícios, só este: Andrea's worst and most noticeable habit is sucking her thumb, a habit she has had since she was young. Em 1998, depois da digressão americana, uma voz amiga suggested that Andrea should get some therapy to try to get her out of the habit. A Andrea é, meus amigos, das manas Corr, a mais desperta para o mundo.

Ora sucede que, ultimamente, a Irlanda tem adquirido importância na minha vida, por razões puramente domésticas. A verdade é que partilho casa com uma prima irlandesa da Catherine Zeta-Jones. Pois, roam-se de inveja. E foi assim inebriado que adquiri um disco dos The Corrs, mais exactamente o MTV Unplugged. Cheguei a casa, meti a coisa no ponto, e nada. Quer dizer, lá estão as canções melódicas de sempre, razoavelmente cantadas, aquele mock trad tipo o bar irlandês do cais do sodré, letras leves e popzinhas e uma muito boa versão, a acabar, do “Everybody hurts”. Mas faltava qualquer coisa que sempre tinha associado à minha relação com as manas Corr. E foi então que percebi. Comprem, comprem mas só o DVD. Porque só no DVD o deleite sensual proporcionado pelo visionamento das manas torna tudo o resto agradabilíssimo e irrelevante. RB

 
Feios, porcos e maus? Não, apenas GORDOS. População portuguesa aumenta... de peso. Cerca de 5178058 portugueses têm excesso de peso. Cerca de 2071223 são obesos. A obesidade propicia a pressão arterial, a hipertensão, os diabetes e o excesso de colestrol. Indirectamente, propicia os AVCs, causa de ¼ das mortes em Portugal. Parece que andar ao fim de semana no parque de estacionamento e nos corredores do hipermercado não chega, como exercício físico. O mínimo recomendado é andar (a pé, claro!) uma meia horita por dia, em passo rápido. O Sr., a Sra., tu aí, que estás sentado ao computador: o que é que fizeste hoje pela tua saúde (e pela “qualidade” das praias portuguesas)? SS
domingo, maio 25
 
Imaginar Portugal

Portugal Futuro

O portugal futuro é um país
onde o puro pássaro é possível
e sobre o leite negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que chamarem
portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro
Ruy Belo

RB
 
Coisinhas boas que desapareceram
ou identificação de um país antes da invasão das rotundas


A ideia é lançar uma lista concorrente à de Pacheco Pereira. Pareceu-me uma boa razão. Por isso, participem. Vocês lembram-se do livro do Miguel Esteves Cardoso, A Causa das Coisas. Ora bem. E lembram-se que depois das crónicas (as causas) havia uma parte listando objectos (as coisas) que haviam desaparecido ou estavam em vias disso. O desaparecimento silencioso do sabão Gáticão, do restaurador Olex, da pasta medicinal Couto e da farinha Amparo foi por si só a melhor crónica do desvanecimento de um certo Portugal. Pois agora trata-se do mesmo. Venham essas coisas boas, hilariantes ou simplesmente absurdas de quando éramos putos, e que desapareceram.

A monumental Vicky de Almeida. «Ò setora, como é que se diz Sumol em inglês?»
Os sumos Capri-Sone. O Tetra-Pak português em forma de pêra metalizada. O melhor era virar ao contrário e espetar a palhinha por baixo, salvo seja.
As laranjadas Foca. Um monopólio indisputado em toda a costa vicentina e, em geral, na mouraria a sul da Marateca.
O Canal Caveira em si mesmo.
O leite em pó Nido. Isto é sério: alguém me explica por que razão houve um surto de leite em pó em Portugal no início dos anos oitenta?
Os autocarros de dois andares da Carris, verdes e com bancos de madeira empenados.
Os bigodes dos homens e das mulheres portugueses. Extinguiram-se quando Guterres decidiu que queria ser primeiro-ministro e cortou o seu.
O impagável Topo-Gigio e o seu domador, o pianista Rui Guedes.
A Manuela Moura Guedes a cantar melosamente “Foram cardos foram rosas”, à lareira.
Os ténis Sanjo e os Adidas Stan Smith, que nunca tive.
Os fatos de treino O Galo Desportivo, de má memória visual.
A Maria Armanda a cantar “Eu vi um sapo”. Que é feito de ti, Maria Armanda?
Os Tatoos militares no Estádio do Restelo. Entretenimento para toda a família: gnr’s a executarem acrobacias em cima de obsoletas motos BMW, metidos nos seus apertados fatos de gala e a passarem, mas só às vezes, pelo meio de temíveis anéis de fogo.
A polícia tinha Fiat Mirafiori e a malta jogava ao Chucky Egg no ZX Spectrum 48 K.
RB

 
SMS de ANIVERSÁRIO: O Filipe Nunes (FN) faz anos hoje. Aqui deixo a minha SMS para ele: Parabéns. MVS
 
Abaixo-Assino: O Público de sexta e de sábado publica dois artigos que assinava por baixo: um de Correia de Campos e outro de Augusto Santos Silva . MVS
 
Savater: Apesar de ameaçado de morte há vários anos pela ETA, Savater tem a notável capacidade de conservar o humor intacto. Senão atente-se na seguinte resposta ao diário digital La Corriente Alterna.Com:

El 28 de febrero, en su visita a la Universidad de Barcelona, algunos estudiantes le llamaron "fascista" y "españolista". Ya puestos ¿qué le falta por oír?

A mí a estas alturas ya me han llamado de todo menos "guapo".


É uma curta entrevista, mas que revela suficientemente o espírito lúcido, arejado e inconformado de Savater. Afinal, o único necessário para a questão basca! PM
 
Contra las Patrias: Tomo de empréstimo a Savater o título do seu notável livro, publicado originariamente em 1984 e ampliado em 1996, pleno de lucidez na desconstrução que faz do nacionalismo basco, para evocar as eleições municipais e regionais no País Basco, a realizar dentro de algumas horas. O Abrupto, aliás, não se tem cansado de o fazer - e merece, por isso, o devido reconhecimento. Historicamente, o País Basco formava parte do território sob jurisdição de Castela, ainda que possuindo foros próprios (como, aliás, qualquer outro condado integrado em território castelhano). A ideologia construída por Sabino Arana, em finais do século XIX, constitui uma espantosa construção, de raíz, de um nacionalismo de matriz étnica e racial, amparado numa simbologia propositadamente descontextualizada e na manipulação das origens do território e do povo bascos. Depois de o franquismo ter esmagado ferreamente as pretensões nacionalistas bascas, a democracia espanhola concedeu ao País Basco o estatuto de "comunidad histórica" com uma transferência de poderes tão extensa que permitem que o País Basco tenha actualmente competências mais vastas do que as de um "Land" alemão. Pelo meio, manipularam-se programas de ensino básico e secundário e incutiu-se nas gerações pós-transição o sentimento da ocupação e opressão "espanholistas"; enquanto que a teorização académica do nacionalismo basco foi acolhida e desenvolvida oficialmente. Complementarmente, mas não menos importante, a Igreja católica basca acobertou o nacionalismo basco. Numa comunidade ferverosamente católica, as homilias de padres e sacerdotes encarregaram-se de amplificar o fenómeno. E enquanto uns se limitavam à acção pastoral, outros membros dessa Igreja, tão proeminentes como o Bispo de S. Sebastian, Setien de seu nome, davam guarida a terroristas da ETA e facilitavam a sua fuga para território francês. Hoje, o País Basco, sobretudo nas aldeias de Gipúzcoa, é um manto espesso de medos e silêncios agrilhoado cobardemente. Hoje, numa livraria de Bilbao, pode-se encontrar livros, como aquele que encontrei no final de 1998, entitulado muito apropriadamente Los Bascos e patrocinado pelo Governo Regional Basco, em que se destaca, entre as características morfológicas dos bascos, um presença capilar invulgar na terceira falange digital, só comparável a um povo ... de Sumatra. Hoje, e após a ilegalização do HB, a esperança só pode residir na mudança do mapa eleitoral no País Basco. PM
sábado, maio 24
 
As Aventuras da Pantera Cor-de-Rosa no Expresso: Queria ficar fiel à promessa de não comentar a prisão preventiva de Paulo Pedroso. Ao contrário da maioria dos restantes membros deste blog, nenhuma relação de amizade directa me une a Paulo Pedroso, excepto aquela que consiste na amizade por interposta pessoa, e nem sequer o conheço. Sem embargo disto, foi com enorme tristeza que vivi os últimos dias, sobretudo porque foi a acção política de pessoas como Ferro e Pedroso que motivou a minha filiação no PS. Mas continuo a pensar que, sem prejuízo das manifestações de solidariedade a que me associo descomprometidamente, o silêncio e a serenidade em relação ao inquérito em curso são a melhor arma para a defesa de Pedroso enquanto arguido; e que a confiança no sistema judicial português e nos seus agentes não deve ser beliscada pela crítica fulanizada ou insinuada.

Dito isto, a notícia do Expresso de hoje, sob o título Ferro consta do processo, merece o mais vivo repúdio pela sua leviandade, falta de rigor e propositada ambiguidade. Senão atente-se nos três primeiros parágrafos da dita:

FERRO Rodrigues foi referido por quatro jovens como tendo estado presente em locais onde ocorreram práticas pedófilas, segundo as informações que chegaram a dirigentes socialistas.

O EXPRESSO, porém, apenas conseguiu confirmar a existência de um depoimento de uma testemunha, segundo a qual terá sido o próprio Paulo Pedroso a referir o nome do líder do PS, ao pedir que fossem contratados jovens para um encontro.

O EXPRESSO confirmou ainda que são referenciados no processo mais dois políticos (um é actualmente deputado da bancada socialista e o outro foi um destacado parlamentar do PSD), três magistrados de tribunais superiores e um artista.


De entrada, ficamos a saber que dirigentes socialistas foram informados sobre o depoimento de quatro jovens sobre um suposto comportamento criminoso por parte de Ferro. Fica-se, porém, sem saber como tomou o Expresso conhecimento de tal alegada informação. Pelos próprios dirigentes socialistas? Pelos tais quatro jovens? Depois, o Expresso relata as diligências que efectuou, tendo apenas conseguido confirmar o depoimento de uma testemunha. Mas a haver confirmação, a mesma tem de ser por referência ao depoimento dos quatro jovens referidos no parágrafo anterior, sob pena de conteúdo abrogante. Ora, então temos que um dos tais jovens confirmou uma referência, da parte de Pedroso, a Ferro. Uma referência a um pedido de contratação de jovens, pasme-se! Serão os tais quatro jovens? Mas quem, afinal, pedia a contratação de jovens para um encontro? Mais uma vez, tudo ambíguo, ininteligível mesmo, superficial. Como convém quando se pretende insinuar de forma torpe. Quanto a fontes (Ministério Público? DIAP?), mais uma vez, silêncio. A rematar, supostamente as diligências do Expresso terão permitido apurar referências, nos autos, a políticos, magistrados e um artista. A relevância deste parágrafo numa notícia sobre Ferro apenas na redacção do Expresso deve ser percebida. Felícia Cabrita, por seu lado, já deve ter percebido tudo. PM

P.S. Iluminados investigadores do Expresso, para quando revelações e confirmações sobre as mortes de Amílcar Cabral, Samora Machel e Olaf Palm? Aguardamos impacientemente. E já agora JFK, será pedir muito?
 
Poder de comentar, dever de assinar: Não é nada que não tenha pedido antes, mas volto a pedir. Os textos que assinámos (individualmente ou em conjunto) suscitaram diversos comentários. Demos nesses textos a nossa cara às nossas ideias. Parece-me justo pedir que utilizem a liberdade do espaço dos comentários utilizando o vosso nome. MVS
 
Até sempre: Daqui a umas horas o Sporting despede-se para sempre do Estádio José Alvalade. Despede-se nun jogo com o Vitória de Setúbal, despede-se nun jogo em que adivinho bancadas vazias. Passei muitas horas da minha vida no Estádio do Sporting, conheço os cantos à casa, os funcionários, os corredores. O Sporting despede-se hoje de uma das minhas casas. E eu não estarei lá. MVS

PS - Dois meses até à inauguração do Alvalade XXI!
 
A náusea pela manhã
Já sabemos onde o ex-ministro da informação iraquiano encontrou abrigo: na redacção do Expresso. Refiro-me à notícia do putativo envolvimento de Ferro, já hoje desmentido pelo Procuradoria-Geral. Incrível. Nauseabundo. Concluo que se trata de uma guerra suja. É inacreditável a contra-informação que inunda tudo o que é jornais, rádios e têvês. RB

 
Do Portugal Contemporâneo ao Portugal dos Pequeninos
Podemos partilhar com Oliveira Martins o desprezo pela sociedade demo-liberal e suspirar por soluções providenciais e autoritárias para as lacunas do sistema político. Podemos denunciar com Herculano o excesso de centralização de um Estado que, até 1851, se limitava a cobrar o imposto e a recrutar o mancebo e depois acabar a vida sugerindo irresponsavelmente fantasias pastorais redentoras. Mas estaremos, a meu ver, a cometer erros.
As formas de participação cívica e democrática implantaram-se em Portugal sobre uma teia de relações de patrocinato e caciquismo. Os partidos eram de notáveis, e não de massas. A capacidade do nível local impor condições sobre o central assentava no conhecido esquema de troca assimétrica, no qual ambas as partes retiram benefícios: o notável assegura os votos arregimentados pelo cacique local e move empenhos em Lisboa; o cacique, livra mancebos da tropa, distribui favores e faz passar a estrada aqui e o caminho-de-ferro ali. Por outro lado, explica também Tavares de Almeida, as eleições da monarquia constitucional tiveram o importante efeito de trazer pela primeira vez o povo ao convívio da coisa pública, de oferecer às populações um referente para a acção política que extravasasse o nível paroquial. E há processos que depois de adquiridos não têm regresso. A modernização do Portugal Contemporâneo permitiu, em parte, a emancipação das populações da sua condição de reféns do analfabetismo, da beatice totalitária e obscurantista e do miguelismo político. Mas não esqueçamos que Portugal tinha em 1974 a mesma percentagem de população no sector primário que a Inglaterra em meados do século XIX.
Parece-me bom de ver que as permanências convivem com as rupturas no corpo e no espírito da sociedade portuguesa. E dou dois exemplos da actualidade: o Portugal de aldeia em que todos se conhecem e todos se controlam ou a perversão do poder local democrático por caciques no melhor estilo oitocentista. Parece-me que alguma coisa do que hoje sucede radica neste tipo de relações, que se mantiveram e aprofundaram sob a República, que o Estado Novo mumificou e nutriu por meio século, e sobre as quais o poder democrático de Abril teve, por necessidade, de se apoiar. Por isso, muitos dos desafios que se colocavam para fazer do Portugal de oitocentos um país mais justo e desenvolvido ainda estão connosco: a emancipação de uma relação doentia com a autoridade, a vivência plena da cidadania republicana no que toca a direitos e deveres, o não pactuar com a mediocridade do português de coluna vergada, chapéu na mão a pedir esmola ou subsídio (isto aplica-se aos empresários, desde logo), o perceber que a justiça não se agradece e que, como dizem e bem os Da Weasel, educação é liberdade.RB

sexta-feira, maio 23
 
Reviver o passado em Rimini
A diferença entre Portugal e Itália é que em Portugal um vocalista quarentão de uma banda pop/rock que gosta de cinema e tem uma certa piada, ou vai dar aulas de cinema, como o Rui Reininho, ou vai ser advogado, como o Adolfo Luxúria Canibal. Em Itália, os vocalistas de bandas de pop/rock com piada que gostam de cinema fazem mesmo os filmes que querem fazer. Falo de Franco Battiato, que acabou de estrear Perduto Amor e Renato Ligabue. Este último fez dois filmes, entre os quais o divertido amigos de alex da geração italiana que tem trinta anos, Da Zero a Dieci. Mas não basta ter trinta anos, é preciso gostar de Rimini. Tal como Veneza é a Aveiro de Itália, Rimini é a Albufeira aqui da malta, ao pé da qual Ibiza parece uma coisa de meninos. Bastará informar que Rimini tem a maior concentração de discotecas e bares por metro quadrado em toda a Europa. RB
 
Daltonismo no NY Times? Ex-Jornalista negro, admitido no âmbito de um programa de discriminação positiva, afirma ter sido vítima de racismo. SS
 
Há um pide em cada português?
A forma como circulam os mais desvairados boatos entre cada prisão a conta-gotas do caso Casa Pia merece uma reflexão. Portugal é um país pequeno, de elites ainda mais pequenas. Que Portugal continua a não passar de um hinterland de Lisboa, argumento plausível uns meros cem anos atrás, não deixará de suscitar aos nossos leitores a norte de Alverca comentários indignados. Quer dizer: toda a gente conhece toda a gente, toda a gente viu alguém a, toda a gente afinal até já tinha ouvido falar no nome de. Fazem-se listas, elaboram-se teorias. As redacções dos jornais usam o daily dish, os contactos aqui e ali, as fontes anónimas, a esposa ressentida e o marido cornudo como fontes de jornalismo de investigação. Que, por essa razão, não existe (como se sabe). Em Portugal, o jornalismo de investigação é feito pelos leitores.

O trabalho da odiosa pide, num país assim, se calhar não tinha uma dificuldade por aí além. Bastava deixar correr o boato e ter um bloco e lápis à mão. O pide não precisava procurar muito. Sentado na taberna, a informação vinha ter com ele. Nem era preciso ser particularmente inteligente, ou sequer letrado. Portugal, a primeira aldeia global. A propósito da Casa Pia, na pastelaria, no autocarro, no escritório, na rádio, o português exercita o desporto nacional favorito: pôr nomes na lista. Quem já viveu numa aldeia ou em Campo de Ourique percebe a força asfixiante e totalitária do boato, do rumor, do diz-que-disse. O português é mais eficiente no trabalho de controlar o parceiro português do que qualquer polícia. Se os polícias portugueses são bons polícias é porque são portugueses e portanto comem do mesmo prato.

Uma das razões tipificadas no código do processo penal para justificar a prisão preventiva é o risco de perturbação da ordem pública. É necessário que terminem as detenções a conta-gotas espaçadas de semanas. Entre uma e a próxima, crescem o rumor, a ansiedade e a paranóia. Ora, ou o Ministério Pública resolve isto ou eu peço a prisão preventiva do mesmo por perturbação grave e continuada da ordem pública. RB

 
Um abraço solidário. Eu não sou amigo pessoal de Paulo Pedroso. Eu não sou militante do Partido Socialista. Eu, como a Sílvia, tenho bons amigos que são bons amigos de Paulo Pedroso. Partilhei com Pedroso uma saborosa moamba e uma noctívaga cena de copos. Tenho um imenso respeito pessoal por Pedroso e uma funda admiração pelo que fez no governo e tem vindo a fazer no partido. É por acreditar na inocência de Paulo Pedroso que não vou agora fazer aqui o inventário das suas qualidades e virtudes. Isso soaria a um deslocado elogio fúnebre.

Ontem à noite, a minha mãe dizia-me uma coisa que suponho muita gente sente, porventura mais do que pensa. A começar por mim. Que, não conhecendo pessoalmente Pedroso e, portanto, não sendo dele amiga, sentia contudo uma solidariedade calorosa, uma profunda convicção na sua inocência e uma espécie de luto por dentro. Tenho, quero e não abdico de ter confiança na capacidade do sistema judicial português revelar toda a verdade sobre este caso sórdido. Associo-me ao desejo da Mariana, do Filipe e da Sílvia: que se faça justiça e que esta seja célere. RB

 
STAR WARS: Não sou amiga pessoal de Paulo Pedroso. Partilhamos amizades e calhou partilharmos por um par de horas uma mesa num restaurante. Independentemente do que se disser ou escrever, ele é, para todos os efeitos, inocente. E, independentemente de acreditarmos na sua inocência, continuará a sê-lo até ser (se for) julgado e até ser (se for) condenado. A vida dele, essa, dificilmente voltará a ser o que era. Que preserve o sentido ético que o fez pedir o levantamento total da sua imunidade parlamentar; que preserve a paciência e determinação que o fizeram reunir sucessos políticos em áreas tão delicadas como pobreza, pensões e concertação social; que preserve a inteligência e o espírito crítico que o fizeram ganhar o respeito dos seus alunos, colegas e opositores. Que preserve os amigos. E que se faça justiça, porque também eu quero e preciso de acreditar na Justiça portuguesa.

May the force be with him... que os amigos, esses, já estão. E ainda bem. SS
 
Democracia É o primeiro post que escrevo sobre o assunto e gostava que fosse o último. Mas não sei se será. Não sou imparcial em relação ao Paulo Pedroso, sou amigo incondicional. Não gosto de registos emotivos e populistas. Esse também nunca foi nem será o estilo do Paulo. Acredito, sem reservas, na sua inocência. Quem não é amigo pode ter reservas. Não vos convoco, por isso, para os meus argumentos. Recomendo apenas que analisem, friamente, as bases da acusação e o que sobre isto escreveram quase todos os editorialistas.

A nossa democracia tem sérios problemas de qualidade. O funcionamento do poder judicial merece discussão descomplexada. O sistema partidário pode parece sólido, mas... tudo o que é sólido desfaz-se no ar. A comunicação social livre (a UBL, mas não só) tanto pode aqui abrir caminho ao populismo como à renovação democrática. Quero acreditar que, no fim disto tudo (hoje, amanhã, quando for), a verdade será mais forte do que a mentira. É isto que distingue um Estado de Direito Democrático de uma ditadura. FN
 
Este é o primeiro dia: Não reivindico para mim imparcialidade neste caso. Sou amiga do Paulo Pedroso há muitos anos e acredito sem reservas na sua inocência. O que espero, é o que sei que o Paulo espera neste momento - que a justiça actue de forma célere e de modo a apurar toda a verdade. Sei que este é apenas o primeiro dia desta batalha. Estarei com Paulo Pedroso desde este primeiro, até ao último dia. Até ao dia em que conhecermos tudo o que existir para conhecer sobre este caso. MVS
 
Greve no Ensino Superior: Leio por aí que a greve do ensino superior teve muito pouca adesão por parte dos alunos. Numa fase em que a crise está instalada no Ensino Superior, em que a educação e a investigação sofrem os maiores cortes dos últimos anos assalta-me uma pergunta: De que é que estão à espera? MVS
quinta-feira, maio 22
 
Agradecimento: Como é evidente, agradecemos todos os e-mails, comentários, posts e telefonemas de solidariedade neste momento difícil.
 
Como julgamos que tem sido claro desde que existimos, o País Relativo não tem, em momento algum, sido uma voz oficial ou oficiosa do PS. Alguns de nós inclusivamente não são militantes do PS. Quem perca tempo a ler-nos reconhecerá que entre os nossos defeitos não se encontra a ausência de liberdade de espírito. Aliás, todos nós tomaríamos isso como um insulto. Contudo, a gravidade do momento e dos acontecimentos que hoje ocorreram para a democracia portuguesa e que continuarão a ocorrer nos próximos tempos fazem com que a preocupações deste tipo se sobreponha o absurdo de tudo isto. Reproduzimos, por isso, na integra o comunicado do secretariado do PS de ontem à tarde, que, como se sabe, não é facilmente acessível na integra de outro modo.


Como é do conhecimento público, um dirigente do Secretariado Nacional do PS e Deputado à Assembleia das Republica foi hoje chamado a depor na qualidade de arguido num caso de pedofilia.
Em primeiro lugar, o SN do PS manifesta o seu profundo reconhecimento pela dignidade e sentido cívico com que o nosso camarada Paulo Pedroso respondeu àquilo que, estamos certos, é uma ignóbil calúnia.
Manifestamos ainda o nosso agradecimento a todos os socialistas e os não socialistas, tantos deles amigos e colaboradores do Paulo Pedroso, que nas últimas horas se nos dirigiram saudando a sua atitude política.
O Partido Socialista através do seu SN associa-se plenamente àquele que foi o sentido mais profundo da posição pública do nosso camarada: exigir que toda a verdade seja conhecida.
Paulo Pedroso é um cidadão, cidadão como qualquer outro e, no plano da justiça, merece o que todos os cidadãos merecem. Como ele disse “o direito ao seu bom-nome, o direito a proteger a sua família, o direito à verdade.”
Mas o Partido Socialista manifesta a sua profunda preocupação com a forma como esta calúnia foi montada.
Receamos seriamente que este não seja um acto isolado
Com ela pretendeu-se manchar, também, a honra e a credibilidade do PS.
Sabemos que o nome do Secretário Geral do PS foi já insinuado como fazendo, igualmente parte do processo, inclusivamente com a montagem de testemunhos de que desconhecemos os contornos.
O Secretariado Nacional do Partido Socialista afirma com todo o sentido de responsabilidade:
Tememos que com esta acção caluniosa haja alguém que queira descredibilizar o sistema de justiça português, e mais concretamente o processo de investigação sobre pedofilia. Se assim for, contarão com a nossa oposição determinada.
Mas se esta acção pretende, principalmente, atingir o Partido Socialista, como grande partido do regime democrático, apoiado por milhões de portugueses, daremos uma luta sem tréguas na defesa da nossa honra, da nossa dignidade e na defesa do Estado de Direito.
É por isso que toda a verdade tem de ser apurada e quando for, como estamos certos que será, provada a completa inocência de Paulo Pedroso, haverá que identificar quem e porquê lançou lama sobre a honra de quem não o merecia.
Neste processo, de enorme gravidade, o PS permanecerá firme na defesa da verdade. Não damos guarida a quem prevarica ou se recusa a assumir responsabilidades. Mas seremos totalmente solidários com qualquer de nós que for acusado injustamente.
A justiça tem de actuar com seriedade, celeridade e rigor. Confiamos que tal vai acontecer.
Mas não permitiremos que este caso dê origem a uma escalada de suspeição generalizada ou de um clima de “julgamento popular”. Queremos e merecemos a verdade e só a verdade.
Num momento que é para todos nós particularmente difícil o PS não se deixará abater, como grande partido da oposição, como força de referência das liberdades democráticas e dos direitos constitucionais.

Lisboa, 21 de Maio de 2003





 
Anormalidade Que ninguém se deixe iludir pelos dois posts anteriores. Se há uma réstia de normalidade possível, ela reside numa solidariedade inabalável perante esta situação e na esperança de que toda a verdade seja esclarecida. O mais rápido possível. Tudo o mais é secundário neste momento, e perfeitamente anormal. MC
 
Duas pequenas notas No meio de tudo isto, há um maestro como há poucos que o sr. Vale e Azevedo ofereceu graciosamente aos andrades com o pronto aval de Souness que, ao que se diz, não ganhara qualquer comissão na trasnferência. Ao que se diz também, Vale e Azevedo fê-lo pressionado pelo abatimento de uns trocos numa dívida ao sr. Linhares. Por causa, se bem se lembram, de uns tais Nandinho e Luís Carlos, que ao que parece eram futebolistas profissionais. Alguém sabe onde param estes craques?

E depois temos um tal de Maniche, um dos irmãos Ribeiro. Lembram-se dele? Às tantas, desisti de o defender. No 3º anel, desconfiavam dele irremediavelmente. Era mediano, à imagem da equipa. Descontrolava-se nos momentos cruciais, não tinha cabeça, era irreflectido e indisciplinado. Não era nem extremo, nem avançado, nem médio centro. Não era nada. Coitado, não dava para mais. Talvez no Varzim. Entretanto, teve o azar de ter um empresário non grato na Luz. Pois. Onde estão agora todos esses peritos da bola? MC
 
Sevilha O Porto do sr. Mourinho ganhou, hoje, com inteira justiça – como aliás aconteceu ao longo de quase toda a época. É uma equipa com uma organização táctica eficaz; com uma preparação física a toda a prova; com uma força mental impressionante. Estiveram duas vezes em vantagem, duas vezes a viram anulada. Mas nunca fraquejaram. Pressionam a todo o campo, chegam sempre meio segundo antes do que os adversários esperam à bola. Mourinho pode ser a figura simpática que todos conhecemos, mas a verdade é que a coisa funciona, e funciona quase sempre bem. Os adversários entram em campo receosos, e isso é logo uma vantagem (lembram-se do Glorioso na luz e do sporting em alvalade?). Mesmo que não entrem os primeiros minutos encarregam-se de estabelecer hierarquias, como hoje aconteceu. Quase apetece dizer que contra factos não há argumentos. Suspeito que para os adversários do FCP, onde me incluo, só há uma solução: melhorar, e muito. MC
quarta-feira, maio 21
 
A maior parte das pessoas que fazem o país relativo é amiga pessoal do Paulo Pedroso há vários anos, alguns de nós há muitos, muitos anos. Vários de nós foram seus alunos. Outros tiveram o privilégio de trabalhar com ele em alturas diversas do seu percurso político. Estamos perante um processo monstruoso que o tempo, a verdade e as instituições da democracia se encarregarão de esclarecer. Este processo não terminará com a reposição do bom nome do Paulo Pedroso. Terminará com o cabal esclarecimento de quem são os autores deste absurdo e o que os move. Neste momento, a nossa posição não pode ser outra que não a de total solidariedade para quem se vê, de um momento para o outro, envolvido nesta calúnia.

Foi esta a declaração que Paulo Pedroso proferiu esta manhã:

Há dez dias atrás chegaram-me informações, que considerei credíveis, que contra mim estavam a ser lançadas acusações de envolvimento em crimes de pedofilia.
De imediato reagi a esta calúnia apresentando um requerimento ao senhor Procurador-geral da Republica solicitando informação sobre se existia ou não qualquer acusação a meu respeito de forma a, se existisse, poder de imediato, accionar judicialmente os caluniadores. No mesmo momento manifestei a minha total disponibilidade para, de imediato ser ouvido, colaborando com a Justiça para que a verdade fosse apurada integralmente.
Soube hoje que o Ministério Público solicitou à Assembleia da Republica a autorização para eu ser ouvido como arguido nesse processo e eventual aplicação de prisão preventiva.
Desde já quero afirmar que solicitarei à Assembleia o total levantamento da imunidade parlamentar e se tal não me for concedido solicitarei de imediato a suspensão do meu mandato de Deputado.
Estou a viver momentos terríveis, mas tenho a consciência plena de como estão gastas e desacreditadas as afirmações de inocência.
Mas à minha família, aos meus amigos, aos meus camaradas do partido Socialista tenho o dever de dirigir estas palavras.
Nunca participei em qualquer acto de pedofilia ou em qualquer acto com tal assimilável.
Estou completamente disponível para todos os esclarecimentos sobre toda a minha vida que a justiça pretenda obter.
Mas sinto-me no direito de exigir que seja conhecida toda a verdade.
Não me basta que seja declarado inocente, como serei, porque acredito na justiça do Portugal democrático.
Não desistirei de lutar, seja pelo tempo que for, por todos os meios ao meu alcance, para que sejam identificados, julgados e punidos os responsáveis por esta infame calúnia.
Nada poderá, provavelmente, reparar os danos que alguém me quis infligir. Mas o mínimo a que tenho direito, como qualquer cidadão, é a saber a verdade, toda a verdade.
Não pretendo nem mais nem menos do que qualquer cidadão tem direito: o direito ao seu bom-nome, o direito a proteger a sua família, o direito à verdade.
Já informei o Secretário-geral do meu partido da minha decisão de suspender, a partir deste momento, todos os meus cargos partidários, até ao cabal esclarecimento de toda a verdade.
Acredito que calúnias montadas com esta gravidade não podem ficar impunes.
Cabe agora à justiça do meu país, única protecção que pretendo, apurar a verdade, toda a verdade.

terça-feira, maio 20
 
Não interessa nem ao menino jesus: estreou há uma dúzia de dias um filme que aconselho vivamente os mais incautos a não irem ver. Chama-se “As irmãs de Maria Madalena” e eu, no mais perfeito dos desconhecimentos, fui vê-lo, há uns meses, iludido pelas prémios em Cannes. Como ele anda por aí todo ‘estrelado’, convém que não caiam na esparrela. Não é cinema. As personagens não existem, são um conjunto de ‘tipos’ sem densidade. O género é o manifestozinho, desprovido do mínimo de sofisticação necessário para se tornar aguentável. O tema é fascinante e nada redutor: a Igreja Católica é uma instituição total e perversa. E? O cinema não merece este tratamento. Merece sim, o último Spike Lee, ‘A última hora’. Duro, cru, e uma homenagem a sério a Nova Iorque. E depois tem o ‘sonho’ dos últimos 5 minutos. Com a voz de pai para filho. No limiar do bom gosto e, também por isso, a superar todos os qualificativos. Há, de vez em quando, muito boas razões para estar fechado numa sala durante duas horas. PAS
 
Sado-descida: Ai, ai, depois da descida de divisão do V. Setúbal, ontem consumada, começam a minguar as possibilidades de ver futebol abaixo do Tejo no próximo ano. Resta-nos a esperança de o Portimonense ainda dar um ar da sua graça, mas depois da derrota caseira deste fim-de-semana contra o Maia, as esperanças começam a ser ténues. Ainda me lembro, adolescente e mais crescidote, de acompanhar o Belenenses nas suas deslocações extra-muros a Setúbal (com a muito conceptual publicidade da Ariston no intervalo, traduzida numa caminoneta transportando um frigorífico em redor do estádio), Faro (um estádio terrível para qualquer adversário, sobretudo pela pequenez do terreno), Campo Maior (com a mítica Festa das Flores engalanando a estreia de Jimmy, agora dito Hasselbank, em Portugal), Elvas (já há muitos anos com um golo decisivo de Mapuata) e depois, na fase menos auspiciosa do Belém, Sesimbra (onde celebrámos a primeira subida de divisão com o marisco da ordem) e Évora (só me lembro do fabuloso ensopado de borrego, por isso o Lusitano deve ter ganho). Força Portimonense!, ou para o ano, só tripas, rojões e portagens de Alverca. PM
 
Verdade ou consequência Segundo uma qualquer sondagem feita já em pleno pós-felgueiras, o PS estará à beira da maioria absoluta. Fast thought, logo transformado em título de capa: o PS não terá sido afectado pelo caso Felgueiras. Puro engano. Episódios destes lesam todos, e lesam acima de tudo a imagem, a legitimidade, e com elas a sustentabilidade do próprio sistema democrático e dos seus protagonistas. A verdade é que as contas de reais ganhos e perdas serão partilhadas, no longo prazo, por todos, e nem se fazem agora nem serão facilmente contabilizáveis. É por isso mesmo que é fundamental que, neste como noutros casos, todos saibam tirar as devidas consequências do que vai acontecendo em casa própria. De forma lúcida, higiénica e transparente. Manifestamente, porém, noutros casos não há meio de isso acontecer. MC
 
Assinatura: Nos últimos dias o Valete Frates, o Intermitente, a Memória Inventada, o Unblogsobrekleist , a Janela Indiscreta e o Mar Salgado subscreveram o texto inicialmente assinado pelos Relativos, o Blog-de-Esquerda, os Infames e os Marretas.
 
Magic in there: os Go-Betweens (o melhor grupo pop no activo) deram hoje o melhor concerto dos últimos larguíssimos anos em Lx (ainda me lembro de uns quantos que podem competir: um do L. Cohen, outro do D. Byrne e ainda outro do John Cale). Foram quase duas horas de canções perfeitas, com muito dos dois últimos discos, mas, também, com muitas das outras, e.g. “the house that Jack Kerouac built”, “bye, bye pride” e até, a finalizar o “surfing magazines”, um enumerar das mecas do surf. Quantas músicas há assim e quantos grupos tão simplesmente perfeitos? A verdade é que se olha à volta e os melhores continuam a ser os que ficaram do passado. Não nos livramos dele. Eu tinha 15 anos, ouvia o “Tallulah”, e “não permitia que ninguém dissesse que eram os melhores anos da minha vida”. Deve ser também, essa a razão porque gostei do concerto. PAS
segunda-feira, maio 19
 

Felgueiras, Portas, Isaltino e a democracia: são inaceitáveis atitudes de políticos que se recusam a compreender que muito do respeito e da confiança que as pessoas continuam a nutrir pelas instituições representativas dependem do conjunto das atitudes individuais, no plano político e ético, dos próprios políticos.
Desta perspectiva, o episódio da fuga de Fátima Felgueiras, ele próprio a crónica de uma tragédia anunciada, permanecerá como uma das situações mais lamentáveis de desonestidade cívica e política de que há memória no Portugal democrático, tanto mais que assenta no fenómeno mais perigoso a que a democracia dá lugar e está sujeita: o populismo “legitimado” pelo voto. A fuga às autoridades que se seguiu ao decretamento da sua prisão preventiva, embrulhada num discurso justificativo de vitimização conspiracionista e de exploração demagógica dos sentimentos mais primários das pessoas que a apoiam, é a todos os títulos inaceitável.

O caso Felgueiras é apenas um caso, entre outros, de comportamentos que minam a confiança nas instituições democráticas e, portanto, do país no próprio país. A recusa de Paulo Portas em abandonar o Governo, mesmo perante as suspeitas que continuamente se adensam à medida que prossegue o julgamento Moderna são desgastantes não apenas para o Governo, mas para a própria democracia, já para não falar da triste novela do sobrinho de Isaltino Morais.

E quando, a acrescer a isto, a comunicação social não tem pudor em induzir generalizações, alinhando prazenteiramente na tese de que os políticos são do pior que há no país, estará em parte explicado como é que de um conjunto de situações patológicas, que, por muitas que sejam, são evidentemente excepcionais, se gera a convicção de que todos os políticos são corruptos e todos os políticos são iguais. Mas não são. MK


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